Sorocaba e São Paulo - Após a retirada de radares móveis de estradas federais do País em agosto, cresceu o número de mortos e feridos em acidentes nas rodovias, segundo dados da PRF (Polícia Federal) compilados pela organização SOS Estradas. De agosto a outubro, o total de óbitos aumentou 2% e o de machucados, 9,1%, ante o mesmo período do ano passado. A mortalidade na malha federal apresenta tendência de queda desde 2011. A Justiça mandou o governo retomar, no dia 14 deste mês, a fiscalização com equipamentos móveis, mas nesta segunda-feira (16) esse prazo foi adiado para o dia 23. De janeiro a março, os registros de violência no trânsito estavam em queda: de 7% nos óbitos e de 4,3% nos feridos, ante o mesmo período de 2018. De abril a julho, quando foi suspensa a instalação de equipamentos fixos de fiscalização, o total de mortes já havia aumentado 2,7%, na comparação com os mesmos meses de 2018.

Justiça ordenou a retomada da fiscalização com equipamentos móveis, mas prazo para medida se colocada em prática foi adiado para o dia 23
Justiça ordenou a retomada da fiscalização com equipamentos móveis, mas prazo para medida se colocada em prática foi adiado para o dia 23 | Foto: Fernando Oliveira/PRF

Ao mandar suspender o uso de radares móveis, em 15 de agosto, o governo Bolsonaro justificou que o objetivo era "evitar o desvirtuamento do caráter pedagógico e a utilização meramente arrecadatória dos instrumentos e equipamentos medidores de velocidade". A PRF informou que os dados de acidentes serão analisados após o fechamento do ano. Já o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), do Ministério da Infraestrutura, disse que os índices ainda estão sendo coletados.

O excesso de velocidade é responsável por 16,1% das mortes em estradas federais, segundo estudo do próprio ministério, com dados de 2017. Desde 15 de agosto, quando o uso do radar móvel foi suspenso, 55,7 mil quilômetros de estradas, equivalentes a 85% da malha pavimentada, ficaram sem fiscalização eletrônica de velocidade. Em outros 9,7 mil quilômetros, apenas 332 radares fixos, quase todos em rodovias concedidas à iniciativa privada, aplicaram multas por essa infração. "Não há outro fator que explique o aumento em mortos e feridos este ano, que não seja a retirada do radar", diz Rodolfo Rizzotto, coordenador da SOS Estradas.

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira (16) o deputado federal Juscelino Filho (DEM-MA), relator do projeto de mudanças na legislação de trânsito em uma comissão especial da Câmara. Ele propôs mudanças em vários pontos do texto enviado pelo Executivo, incluindo a ampliação da validade da carteira de habilitação para dez anos. "O relator entendeu que com 40 anos a pessoa está velha no Brasil, e tem de voltar a ser de cinco em cinco", disse o presidente, após reunião com o ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura.

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