A equipe do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) prendeu no final da tarde de ontem o ex-diretor da concessionária de veículos Cipasa, Ibrain José Barbino, 57 anos, acusado de matar com cinco tiros no dia 26 de junho de 2004 o proprietário da empresa, Ciro Frare. Barbino recebeu o mandado de prisão preventiva por volta das 17h30 em seu apartamento, localizado na área central, e segundo o delegado Alan Flore não apresentou resistência.
Encaminhado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), ele aguardou uma hora e meia acompanhado da mulher e filha, e às 19 horas foi levado para o 2º Distrito Policial (DP), onde iria passar a noite em cela especial, por ter curso superior.
O mandado de prisão foi expedido pelo juiz da 1 Vara Criminal, Délcio Miranda da Rocha, e segundo o advogado da família Frare, Walter Bittar, foi motivado pela comprovação de novas práticas criminosas. ''Houve materialidade de crime'', resumiu o advogado.
Na época do homicídio, o contador da empresa declarou em depoimento à polícia irregularidades nas contas da concessionária no valor de R$ 3,7 milhões. Em entrevista à Folha, em 31 de março de 2005, o filho do empresário, Alexandre Frare, confirmou que desvios estariam acontecendo desde o início de 2004, por isso foi marcada uma reunião para que o então diretor esclarecesse tudo.
Outro indício de irregularidade na empresa também foi demonstrado no dia do crime. Em diligência para localizar Barbino, policiais encontraram, na sua chácara, na Estrada do Limoeiro (Zona Leste), uma Saveiro com placas frias. O chassi também estava irregular, apontando para um veículo Gol, ano 1981, com registro de furto em 1983. Naquele dia o carro foi apreendido.
Um dos advogados de Barbino, José Romeu do Amaral Filho, informou que irá entrar hoje com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça para revogar a prisão de seu cliente. ''Foi uma surpresa para todos nós este pedido de prisão. Não há motivo plausível, trata-se de uma arbitrariedade. Ele compareceu em todos os atos do processo, esteve o tempo todo à disposição da justiça e em nenhum momento saiu de Londrina'', declarou o advogado. Amaral Filho lembrou ainda que Barbino é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa, não representando, portanto, ameaça à sociedade.
O processo está na fase de inquirição das testemunhas de defesa. Desde a data do crime os advogados da família da vítima e a promotora da 1 Vara haviam pedido três vezes a prisão preventiva de Barbino, mas todos os pedidos anteriores foram negados.

mockup