O Comando Sindical Docente, formado pelas diretorias das seções sindicais de professores das universidades estaduais de Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Guarapuava, decide em reunião em Curitiba nesta segunda-feira (15) à tarde se aceita a proposta do Governo do Estado para pôr fim à greve. Já os professores e servidores da rede estadual de ensino votaram após assembleia realizada no sábado (13) pela suspensão do movimento e devem definir também nesta segunda como será o calendário de reposição em reunião com a Seed (Secretaria Estadual de Educação). A greve começou no dia 25 de junho.

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. | Foto: Gustavo Carneiro - 08/07/2019

A proposta divulgada pela governo na última sexta-feira (12) indica que a inflação da última data-base de 4,94% será parcelada, sendo a primeira parcela de 2% efetuada em janeiro de 2020. A segunda e a terceira, de 1,5% cada, seriam pagas em janeiro de 2021 e janeiro de 2022, respectivamente. As duas últimas seriam pagas caso a RCL (Receita Corrente Líquida) do ano anterior tivesse crescimento de, pelo menos, 6,5% em relação à do ano anterior. Na proposta anterior, o governo havia proposto 0,5% em outubro de 2019, 1,5% em março de 2020 e condicionou a possibilidade de pagar o restante, em 2021 e 2022, ao crescimento da RCL.

Para o presidente do Sindiprol/Aduel (Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região), Ronaldo Gaspar, ainda é cedo para adiantar se a categoria irá acatar o reajuste anunciado pela gestão Ratinho Junior (PSD). Segundo ele, a proposta é insuficiente para repor a defasagem salarial da categoria. "Tudo será definido pelo Comando nesta segunda à tarde, nós da UEL iremos analisar de manhã. O que posso dizer é que a proposta é muito parecida com a primeira. Não contempla as as perdas e não fala sobre as inflações futuras."

O presidente da Assuel (Associação dos Servidores da Universidade Estadual de Londrina), Arnaldo Mello, também criticou a nova proposta que classificou de "mau gosto". "Primeiro porque só irá repor a inflação de 2018 e 2019 em janeiro de 2020. Não podemos esperar." Ele também pontuou que a sinalização dada pelo governo, por meio de nota, demostraria a falta de diálogo. "O governador não recebe os representantes dos servidores diretamente, somente um ou outro secretário. O diálogo não foi retomado."

Questionados se a suspensão da greve por parte da rede estadual poderia enfraquecer o movimento grevistas de professores e servidores das universidades, Gaspar e Mello responderam que este fator também será avaliado na reunião da cúpula dos sindicatos. Uma assembleia, ainda sem data, deverá ser marcada pelos docentes. O FES (Fórum das Entidades Sindicais), que representa 25 categorias, incluindo os policiais civis, também marcou para esta segunda uma reunião para analisar o futuro da paralisação.

Os sindicatos de outras categorias também estão se mobilizando para discutir a proposta do governo, convocando assembleias a serem realizadas em diferentes datas. A Assuel, representante dos servidores da UEL e HU, pretende discutir a proposta na terça-feira (16), mesma data da assembleia do Sindipol-Polícia Civil.

CALENDÁRIO ESCOLAR

No sábado (13), a assembleia com dois mil professores foi convocada pela App-Sindicato em frente ao Palácio Iguaçu em Curitiba, um dia após a nova proposta anunciada por Ratinho Junior. Os servidores aceitaram o reajuste, mas com ressalvas. A categoria afirma que índice oferecido ainda é insuficiente e que retomará as discussões em nova assembleia marcada para 10 de agosto, cinco dias após o retorno do recesso da AL (Assembleia Legislativa). Neste ínterim será instaurada uma comissão para debater a questão dos funcionários em regime PSS, que não foram contemplados no novo documento.

Com a nova decisão, os diretores e servidores da educação básica retornam às atividades nesta segunda-feira e irão debater com o Seed um calendário de reposição das aulas. Já os professores e alunos entram em recesso oficial a partir desta segunda. O retorno está previsto para 25 e 26 de julho para os professores para atividades pedagógicas. Já os estudantes retornam no dia 29 de julho para o segundo semestre letivo.

Segundo o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Silva Leão Leão, a reposição das aulas será discutida com cautela para preservar os direitos dos alunos. "Já apresentamos aos diretores da Seed que nossa intenção é preservar o calendário de recesso. Isso porque muitos professores e alunos estão com programação familiar de férias. A nossa defesa é que sejam mantidas as férias e podemos dialogar sobre como serão repostos os conteúdo em sala da aula."

Segundo a assessoria do Estado, o governo não irá se manifestar, mas informa que espera que todos os serviços estejam funcionando normalmente a partir desta segunda-feira. Procurada, a chefe do NRE (Núcleo Regional de Ensino) em Londrina, Jessica Pieri, disse que aguarda no início desta semana o comunicado da Seed sobre como será feita a reposição das aulas.

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