Após paralisação parcial, motoristas ameaçam greve
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Após uma paralisação parcial ontem, de funcionários da empresa CCD, motoristas e cobradores da Capital ameaçam realizar uma greve geral no transporte público, a partir da próxima segunda-feira. O motivo seria o atraso no pagamento de um adiantamento salarial, correspondente a 40% dos vencimentos da categoria. Essa é a segunda vez no ano que os integrantes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) propõem cruzar os braços.
No período da manhã, os trabalhadores da CCD, que atende 70 linhas na RMC, principalmente nos bairros Cajuru e Centenário, suspenderam suas atividades por cerca de duas horas e meia. Conforme o Sindimoc, a paralisação só teve fim às 8h15, quando a empresa se comprometeu a quitar os débitos até amanhã. O indicativo de greve, contudo, já foi aberto, devendo ser mantido em caso de descumprimento do acordo.
Ainda segundo a entidade, até o final da tarde de ontem 80% das companhias não haviam pago o vale aos seus funcionários. Dentre elas, a Campo Largo, a Marechal, a Araucária, a Tamandaré e a Glória não teriam sequer previsão de quitar o montante devido: R$ 725 para motoristas e R$ 410 para cobradores. Já a CCD confirmou à FOLHA que depositou 2% do valor necessário anteontem e que até o final da semana pagaria o restante.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) atribuiu o atraso à dívida de R$ 15,2 milhões que a Urbanização de Curitiba (Urbs) e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) têm com as companhias. "As empresas já haviam emitido nota informando que o pagamento do vale dependia da solução do impasse entre os poderes concedentes. Cabe lembrar, porém, que a convenção coletiva de trabalho estabelece que as empresas têm até o dia 20 para pagar até 40% de adiantamento do salário, não necessariamente os 40%", diz trecho do documento.
Já a Urbs, que rejeitou a primeira proposta da Comec para renovar o convênio com a Rede Integrada de Transporte (RIT), encerrado em 31 de dezembro de 2014, disse que ainda está em negociação com o órgão do governo estadual. A Comec pretende reduzir de R$ 7,5 milhões para R$ 2,3 milhões mensais o subsídio repassado ao sistema, valor que a administração municipal considera "muito baixo". Hoje, a tarifa integrada custa R$ 2,85, mas o custo repassado às empresas (tarifa técnica) é de R$ 3,18 por usuário. Quanto ao indicativo de greve, a Urbs afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a comunicação deve ser feita 72 horas antes, conforme prevê a legislação, o que não havia ocorrido até o final da tarde de ontem.


