Após mortes, Sabesp veda portões de reservatórios
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Márcia Vaisman, especial para a AE 
São Paulo, 25(AE-REUTERS) - Vinte e quatro horas após ter sido encontrado o corpo de Tiago Prado Correia, de 15 anos, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) acionou os técnicos para vedar as tampas das caixas-dágua de alguns reservatórios.
Até hoje era comum a entrada dos "nadadores" nos locais. "Retirei um rapaz da água pouco antes de os técnicos da Sabesp chegarem", afirmou o segurança da empresa Ezequiel Oliveira, de 30 anos, que trabalha no Reservatório Jaraguá, na zona norte.
Desde domingo, dois rapazes desapareceram quando nadavam no reservatório do Jabaquara. Moradores vizinhos aos reservatórios como o do Jaraguá e da Vila Brasilândia, na zona norte, dizem que a invasão dos adolescentes era diária.
Há três meses trabalhando no Jaraguá, o vigilante Ezequiel Oliveira afirma que todos os dias adolescentes de 12 a 18 anos nadam na caixa que abastece a região. Sem arma, telefone ou rádio, o segurança observa impotente a invasão. Próximo da Favela do Canta Galo, é o lugar preferido de consumidores de maconha e crack e de pichadores.
Desde os sete anos, o estudante Alexandre Butijeli, de 15, vai ao reservatório nadar. Ao lado do amigo Fábio Costa, de 18 anos, eles sobem as escadas, observam a solda e dizem que daqui a alguns dias vão voltar. "Essas tampas estão podres", disse Butijeli.
Costa e mais 20 rapazes fazem parte da gangue de pichadores União Líder Pirituba. "Nós somos da paz, pichamos as caixas-dágua e nos divertimos com os colegas e as namoradas." Ele confessou, no entanto, que alguns deles urinam nas caixas.
Situação semelhante ocorre no reservatório da Vila Brasilândia. Ainda é possível ver o cadeado jogado ao lado da tampa recentemente vedada. Mesmo com o cadeado no chão do reservatório, o vice-presidente metropolitano de Distribuição da Sabesp, Marcelo Salles, afirma que as tampas de todas as caixas d água são soldadas periodicamente.
Salles esclareceu que a empresa está instalando vigilância eletrônica nos reservatórios. "Estamos tentando aperfeiçoar o sistema." Para ele, usar armas não é a solução, pois os assaltantes roubam dos empregados.


