Após fim de outro motim, tensão persiste
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A rebelião na Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), na Região Metropolitana de Curitiba, foi encerrada por volta das 17 horas de sábado e durou cerca de 25 horas sem mortes e feridos. Apesar de ânimos serem apaziguados em Piraquara, o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) teme outras rebeliões por causa da falta de segurança e estrutura do sistema penitenciário. Segundo o presidente do Sindarspen, Antony Johnson, a situação estaria mais tensa na Penitenciária de Foz do Iguaçu II (Oeste), em Francisco Beltrão (Sudoeste) e na Penitenciária Estadual de Londrina II.
Na próxima quarta-feira, os agentes já têm uma assembleia marcada em frente ao Palácio Iguaçu para reivindicar melhorias no trabalho dos agentes e melhores condições de atendimento aos condenados. "É quase que inevitável os agentes entrarem em greve porque não há mais nada o que fazer ", disse Johnson.
Segundo nota assinada pelo diretor do Departamento de Execução Penal (Depen), Cezinando Paredes, a rebelião de Piraquara terminou com a transferência de 43 detentos. Dez presos foram levados para Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, 23 para presídios do próprio Complexo Penitenciário de Curitiba e Região Metropolitana e outros dez para prisões de Santa Catarina (União da Vitória e Joinville) em razão de condenações naquele Estado.Os dois agentes penitenciários feitos reféns foram liberados e não sofreram violência.
De acordo com informações da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou a ocorrência, sete presos da ala chamado "seguro", onde ficam ex-policiais e condenados por estupro, também foram rendidos. Ainda segundo a OAB, durante o motim, os rebelados entraram na ala seguro para render os presos. A Secretaria de Justiça não confirma essa informação. A penitenciária de Piraquara possui 1.108 vagas e abrigava 1.110 pessoas.
O governo do Estado informou ainda que uma ampla investigação sobre todos os motins e rebeliões que aconteceram nos últimos meses já está em curso. O monitoramento das prisões também foi reforçado.
O juiz da 2ª Vara de Execuções Penais, Moacir Antônio Dala Costa, acompanhou as negociações e concedeu 20 benefícios, sendo cinco alvarás de soltura e 15 progressões de regime para a Colônia Penal Agrícola para presos da PEP II.
Desde dezembro de 2013, já foram registradas 19 rebeliões no Estado, sendo quatro neste mês. As últimas aconteceram em Cruzeiro do Oeste, Guarapuava e Cascavel, com cinco presos mortos e um total de 25 feridos.


