Após farsa, juiz decreta prisão de Suzane
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Oswaldo Faustino<br>Agência Estado 
São Paulo- O que seria uma entrevista bombástica com Suzane von Rchthofen, de 22 anos, acusada de ter participado do homicídio dos pais, Manfred e Marísia Richthofen, mortos a golpes de barra de ferro dentro de casa, em 31 de outubro de 2002, acabou se documentando uma grande farsa, montada por seus advogados. A matéria exibida na noite de domingo pelo Fantástico deveria revelar uma jovem arrependia, com saudade dos pais e da vida que levava, que foi obrigada pelo namorado a usar drogas e, dominada por ele, se tornou incapaz de evitar o crime. Mas, ao contrário, denunciou a farsa e a manipulação da defesa. Tornou-se uma excelente munição para a promotoria exigir sua volta à cadeia para aguardar o julgamento, que acontecerá em dois meses.
Segundo a reportagem, foram nove meses de negociações, durante os quais aconteceram dois encontros com Suzane, longe das câmeras. Desde que saiu da prisão, em junho passado, ela tem sido protegida pelos advogados e uma espécie de tutor, Denivaldo Barni, sua mulher, Vera, e os também advogados e irmãos Mário de Oliveira e Mário Sérgio de Oliveira.
Segundo a repórter da TV Globo, ''furar o bloqueio formado em torno de Suzane von Richthofen não foi fácil''. Mas, depois de tantas negociações e impedimentos, Suzane teria procurado a produção da Globo para dar a entrevista. As gravações aconteceram dia 5, no apartamento de Barni, no bairro do Morumbi, e no dia seguinte, em Itirapina. Uma das exigências do advogado-tutor foi de que não se exibissem imagens de arquivo relacionadas com o crime.
A imagem da primeira das entrevistas foi pueril: Suzane veste blusa rosa choque com estampa da Minnie, calça jeans e pantufas em forma de coelho. A franja comprida cobre olhos que sempre se voltam para Barni. Na gravação em off, ao final da entrevista do primeiro dia, a repórter revela que a jovem olhou 13 vezes para o advogado em 34 minutos e questiona se foi para buscar de apoio ou orientação. A conclusão está em mais um informação: a entrevista foi interrompida 11 vezes pelo pranto de Suzana, ''mas em nenhuma delas havia sinal de lágrima no rosto'', conclui a repórter.
Ela começa exibindo foto da avó materna, Lourdes Abdalla, queixa-se de que o tio a impede de visitá-la e diz que esse mesmo tio (Miguel) afastou todos dela, inclusive o irmão. Perguntada se tem medo das pessoas, do que elas podem fazer, de algum tipo de reação, confirma com aceno de cabeça. Depois exibe uma colagem com fotos dos pais e do irmão.
A pergunta da repórter sobre o que sente ao olhar as fotos: ''Muita saudade, muita, muita, muita, muita falta... Eles fazem muita falta.''
Chora e pede para encerrar a entrevista, abraça o advogado e retorna: ''Como eu queria a minha família de volta. Que falta que eu sinto de um colinho, dos abraços.''
Começa a ler um trecho de carta que teria escrito ao advogado, durante os dois anos e meio em que ficou presa: ''Você não imagina como é triste lembrar de toda a felicidade que vivi com os meus pais, saber que isso nunca mais vai acontecer. Que eu nunca mais vou vê-los, ou abraçá-los, e dizer te amo''.
A repórter questiona como seria se Daniel Cravinhos não tivesse entrado em sua vida e a resposta é pronta: ''Não, nada disso, nada disso... (olha para o advogado e continua) Ele sempre... me dava muita droga. Ele sempre mandava usar muita droga. E isso foi acabando comigo, foi... Ele falava: 'Se você me ama, usa, se você me ama, usa... Se você me ama, faz isso'. E eu ia, ia, ia...''
Mas ela se recusa a responder qualquer pergunta sobre o plano para assassinar os pais ou sobre a noite do crime: ''Não sei, eu não lembro''. Depois apela para um longo silêncio, antes de responder o que sente por Daniel, a resposta, após um olhar para o advogado, é veemente: ''Muito ódio. Ele destruiu a minha família, ele destruiu tudo o que eu tinha de mais precioso ele tirou de mim. O que eu tinha de mais precioso...'', e encerra a entrevista.
Ontem à tarde, a Justiça de São Paulo decretou a prisão de Suzane.


