São Paulo - Um menino de 1 ano e 3 meses foi resgatado ileso de uma explosão por gás que fez desabar um imóvel de dois andares ontem na Brasilândia, zona norte de São Paulo, onde mais três pessoas também ficaram soterradas, mas sobreviveram.
A mãe da criança, Jaqueline Rodrigues do Carmo Silva, de 19 anos, foi a última a ser retirada dos escombros pelo Corpo de Bombeiros após cinco horas e meia. Também foram resgatados um garoto de 10 anos que é deficiente e o dono do imóvel, Edízio do Carmo Silva, de 53 anos, que teve queimaduras de terceiro grau em 30% do corpo.
"A família nasceu de novo", disse o ajudante-geral Adilson do Carmo Silva, de 26 anos, marido de Jaqueline e filho de Edízio. Os vizinhos ouviram um estrondo às 7h30. Familiares acreditam que havia ao menos oito botijões de gás na residência, onde moravam oito pessoas, em dois andares e uma edícula.
Com a explosão, garrafas PET foram lançadas do primeiro andar da casa e cobriram os telhados vizinhos. O material era guardado pelo dono do imóvel, que, segundo vizinhos e parentes, havia ameaçado matar a família em outras ocasiões. Segundo testemunhas, ele furou um botijão com um objeto e disse que "todos iriam morrer". A ocorrência foi notificada pela PM no 45º DP (Brasilândia) como acidente. Procurada, a polícia informou que ainda não havia recebido informação de que Edízio teria causado a explosão.
O pedreiro Carlos Rodrigues, de 40 anos, que morava no segundo andar com mais dois filhos e a mulher, filha de Edízio, disse que estava saindo de casa quando ouviu um forte estrondo. "Eu saí correndo e fui resgatar meu filho", disse Rodrigues. O menino de 10 anos, que tem paralisia, não fala nem anda. O resgate mais complexo foi de Jaqueline, que estava no primeiro andar. Um muro havia ficado por cima dela e existia o risco de outra parede desabar. A Defesa Civil vai avaliar se a explosão afetou a estrutura dos imóveis da vizinhança.

mockup