Um ano depois das denúncias feitas pelo casal à CPI do narcotráfico, o caso do desaparecimento do menino Ewerton teve uma reviravolta. O laudo desaparecido em 1988 foi entregue de forma anônima ao casal. Dentro, fotos do corpo encontrado em Santo André (SP) que foram imediatamente reconhecidas por José Vicente. ''Não tive dúvidas de que era o Ewerton, apesar das marcas de tortura e das queimaduras. Fiquei internado em uma clínica por 60 dias, com depressão'', lembra José Vicente.
A partir daí, o então secretário de Segurança Pública do Paranpa, José Tavares, interveio, nomeando o delegado Carlos Madureira para acompanhar o caso. Mesmo sendo chamado de louco pelas autoridades de São Paulo, o delegado conseguiu autorização para procurar a ossada de Ewerton em um poço que contém todos os ossos de corpos não reconhecidos, em um prazo de quatro anos. O poço fica em Santo André. ''Os peritos tiveram que ir separando os ossos, em busca do crânio de uma criança de quatro anos com traumatismo craniano. Havia mais de 3 mil ossos no local. Foi um trabalho monstruoso'', destaca o pai do menino.
O material genético coletado no crânio encontrado será agora comparado ao de José Vicente e Eliane. Uma comparação já havia sido feita em São Paulo, mas os resultados foram inconclusivos. O resultado da perícia deve demorar cerca de 30 dias.
Seguro de que o crânio é mesmo de Ewerton, José Vicente espera agora que as investigações possam continuar. ''Espero viver para encontrar a pessoa que fez isso. Eu só quero perguntar para ele uma coisa: o que um menino de quatro anos fez para merecer ser torturado daquela forma?'', desabafa o pai.(R.S.)

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