Londrina - Desde segunda-feira da semana passada, um aluno do 3º ano do ensino fundamental do Colégio Estadual Professor José Aloísio Aragão, conhecido como Colégio de Aplicação, que é ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), está internado no Hospital Infantil com síndrome do pânico. De acordo com a mãe do garoto, que preferiu não se identificar, o estudante de 8 anos teria sofrido bullying na escola por alguns colegas e também por uma professora.
Segundo ela, a primeira vez que o garoto apresentou problema de saúde foi no dia 11 de abril, quando sofreu uma convulsão. O quadro se repetiu várias vezes. Orientada pelos médicos, levou o filho ao cardiologista, que disse que o problema era neurológico. ''Depois de algum tempo as crises ficaram diferentes e ele começou a gritar, chorar e a morder a gente. Então liguei para o médico e expliquei a situação e ele me orientou a levá-lo ao psiquiatra'', relatou. Conforme a mãe, há três semanas o especialista diagnosticou crise de pânico e disse que as convulsões também tinham cunho emocional.
A partir disso, o menino iniciou acompanhamento com três psicólogos e ''começou a soltar que os colegas corriam atrás dele na escola, o chamavam de gordo e que diziam que iriam enforcá-lo''. Sobre a professora, ela contou que houve um episódio em que o filho estava com o dedo na boca e ela tirou o dedo dele dizendo que não precisava disso porque já é gordinho.
Segundo a mãe, o garoto nunca reclamou de bullying, mas da professora, ''que era muito brava e fazia os alunos copiarem a lição correndo'', o que fez com que fosse quatro vezes à escola reclamar dela. De acordo com a mãe, desde que a professora foi ao hospital pedir desculpas ao aluno - a pedido da mãe e da direção -, segunda-feira à tarde, ele está melhor. ''Conseguiu desabafar, xingou a professora, puxou o cabelo dela e a arranhou, o que ele nunca faz. Deve ter ficado com muito ódio dela, mas depois disso, após dois meses fazendo tratamento para dormir, conseguiu descansar'', completou.
A ouvidora do Núcleo Regional de Educação (NRE), Angelita Martins Siqueira, informou que foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. ''Ontem (segunda-feira) o pai entregou um relatório detalhando toda a situação desde que o filho começou a apresentar os primeiros sinais de que alguma coisa não ia bem e no mesmo dia publicamos portaria de sindicância'', relatou. Serão ouvidos os pais do estudante, a professora, funcionários da escola e alunos.
Conforme Angelita, a professora atua na área há mais de 20 anos, mas está na escola desde março, contratada por Processo Seletivo Simplificado (PSS). ''Vamos apurar se fato semelhante já ocorreu com ela. A história do menino é revestida de muita gravidade, por isso estamos agindo com bastante cautela'', reiterou. As audiências ocorrerão na próxima semana e o caso tem 30 dias para ser encerrado.
A diretora geral do Colégio Aplicação, Adriana Regina de Jesus, relatou que foi procurada pela mãe de outro aluno no dia 18 e que ela informou sobre o bullying. ''Ouvimos os pais, que disseram que a professora estava chamando o filho de gordo e burro, colocamos todo o relato na ata e no dia seguinte chamamos a professora para solicitar esclarecimentos e ela negou tudo'', contou.
Diante do impasse, a diretora solicitou a sindicância e o afastamento imediato da professora da sala de aula. ''A escola não foi omissa. Assim que soubemos da situação começamos a fazer o melhor possível. É um caso tão sério que não podemos errar'', afirmou ela, completando que a escola desenvolveu no ano passado um trabalho de inclusão social e que o colégio nunca teve problema com bullying.
A assessoria de imprensa do Hospital Infantil, onde o garoto está internado, informou que ele continua em observação clínica, com tratamento medicamentoso, e que começou a apresentar melhoras.

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