Bandeirantes - A Secretaria de Estado da Segurança Pública afastou ontem o delegado de Bandeirantes (Norte), Alessandro Roberto Luz, após a divulgação de fotos de um churrasco que presos fizeram no pátio de sol da delegacia.
Os detentos colocaram uma piscina inflável de 2 mil litros no local e se divertiram com jogos de cartas, tudo regado a carne e bebida alcoólica. A festa, ocorrida na véspera de Natal, foi fotografada e postada na internet.
A Corregedoria da Polícia Civil abriu procedimento administrativo para apurar o caso. As investigações identificaram que a piscina foi pedida por um detento que cumpre pena por roubo. Ele já prestou depoimento e teria confessado que as cervejas entraram na carceragem dentro de caixas de leite.
''Isso foi uma falha do plantonista. Ou ele fez a revista e não percebeu os materiais ou simplesmente não fez. As duas situações caracterizam infração. Vamos identificar quem estava trabalhando e responsabilizá-lo'', afirmou o corregedor Nelson Águila. Ele já tem em mãos as escalas de plantão de dezembro. As imagens do circuito interno do prédio foram requisitadas.
''O plantonista deveria ter tomado providências, se não fez caracteriza negligência. Tudo que existe ou ocorre na unidade, o delegado tem responsabilidade. Se ele foi avisado e não tomou providência, também caracteriza negligência'', acrescentou.
Todos os servidores da Delegacia de Bandeirantes serão ouvidos neste procedimento administrativo, que deve ser concluído na próxima semana. O documento, com apontamento dos responsáveis, será remetido ao Conselho da Polícia Civil do Paraná. A punição neste caso varia de advertência a exoneração.
''É no mínimo constrangedor'', avaliou o delegado-chefe da 11 Subdivisão Policial de Cornélio Procóprio, Marcos Belinati, a quem Luz é subordinado. ''Isso (o afastamento) não é um pré-julgamento, mas sim um procedimento normal para garantir mais lisura na investigação'', defendeu. Luz não quis conceder entrevista.
A Secretaria de Segurança Pública ressaltou, por meio de nota oficial, que ''não admite condutas que confrontem com a legislação, coloquem em risco a segurança da população ou que possam denegrir a credibilidade da Instituição perante a sociedade.''
A Promotoria Pública instaurou procedimento para apurar os fatos. Além do processo administrativo, os responsáveis também podem responder ação criminal. ''Independentemente se for um investigador de polícia ou um delegado'', ressaltou o promotor-substituto, Alfredo Cherem Neto. O delegado de Andirá (Norte), Luiz Fernando Ripp, assume interinamente o cargo em Bandeirantes.

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