Rio, 06 (AE) - A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) já demitiu quatro funcionários e três professores - outras duas vagas de docentes que morreram não foram repostas - para enfrentar a crise decorrente do decreto que praticamente eliminou a isenção a que tinham direito as entidades filantrópicas - condição exercida pela universidade - em relação à cota patronal da Previdência Social. "Poderá haver mais cortes e o fechamento de cursos de menor demanda", admite o padre Jesus Hortal, reitor da universidade.
A PUC-RJ já aumentou as mensalidades e estuda ainda o fechamento de cursos graduação e redução dos programas de pós-graduação e da concessão de bolsas. Uma ação na Justiça, impetrada na semana passada, questiona o fim da isenção às filantrópicas. "A política puramente contábil de Fernando Henrique Cardoso para o ensino superior é pior do que a de Collor" afirma Hortal. "A pesquisa básica é de interesse do País, e deve ser financiada por fundos públicos".
Segundo o reitor, o apoio do governo à pesquisa, que chegou a 70% dos orçamento da universidade na década de 70, foi de 1% no ano passado e será nulo este ano. Por causa disso, a universidade partiu em busca da ampliação dos convênios com a iniciativa privada. "Isso ajuda a manter os pesquisadores, mas os projetos passam a ser direcionados por interesses industriais
perdendo independência", explica o religioso. "Oferecer ensino com quadro negro e giz é fácil, mas isso é negócio, e não somos comerciantes".
De acordo com o reitor, para a realização da reforma da fachada de um prédio da universidade - que ameaçava a segurança dos alunos, com a queda de rebocos - a entidade teve de contar com a doação de recursos feita por uma fundação católica européia.
Reformas - Com um orçamento anual de R$ 90 milhões para custeio e pagamento de pessoal, a PUC-RJ possui uma dívida de R$ 4 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - os pagamentos estão em dia, garante a direção. Em seu quadro principal, tem 420 professores - outros mil trabalham como horistas. Os alunos de graduação são 10 mil e os de pós-graduação, 1,6 mil - cerca de 2,5% do total de pós-graduandos do País.

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