Após ameaça de fuga, 4 são transferidos do CIT
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Os presos ameaçaram quebrar as grades e iniciar um tumulto no Centro de Triagem da Polícia Militar (CIT), na 10ª Subdivisão Policial, centro de Londrina, por volta das 14h30 de ontem. No momento da confusão, 17 homens ocupavam as três celas, que têm capacidade para nove.
"Isso é desumano. Está mais de 40 graus aqui dentro. Tem gente com HIV e até com os dedos quebrados precisando de atendimento", gritou um dos presos. As celas não contam com água nem luz. Outra queixa é que desde a manhã de ontem os familiares dos detidos foram impedidos de entregar alimentos, produtos de higiene e água. "É complicado. Eu preciso entregar essa sacola a ele com água gelada, pão com mortadela e refrigerante, mas não nos deixam entrar", disse Aline da Rocha, esposa de um preso.
Por volta das 15h30, a Vara de Execuções Penais (VEP) encaminhou uma ordem para a transferência de quatro presos. Condenados e foragidos, os quatro tinham sido recapturados no último final de semana. Dois foram levados à Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL) e dois ao Centro de Reintegração Social (Creslon), antigo 2º DP. Restavam ainda no CIT outros 13 homens. Alguns estão desde sexta no local, sem tomar banho ou usar o banheiro.
A superlotação se agravou por causa da interdição do 4º e 5º distritos policiais, no dia 14, por determinação do juiz da Vara de Execuções Penais, Katsujo Nakadomari.
Apesar do caos, o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Márcio Amaro, afirmou que não quer encaminhar os detidos para outras cidades. "Isso é inviável. Se transferirmos nossos presos, estaríamos transferindo o problema para outras comarcas. Segundo um levantamento feito por nós, as cadeias de outros municípios também estão superlotadas."
Amaro ressaltou que desde que o 2º DP foi entregue à Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) em 2012, a situação se agravou. "A situação, ao invés de melhorar para a Civil, acabou piorando. Se o 2° DP estivesse em nossas mãos teríamos muito mais vagas que agora."
Quando o distrito foi entregue à Seju ficou determinado que a Casa de Custódia de Londrina (CCL), que abriga presos provisórios, receberia ao menos 15 homens do 4º e 5° distritos por semana. A Seju divulgou ontem que a quantidade de transferências em 2014 é ainda maior e que foram encaminhados até agora 112 presos provisórios à CCL. Uma média mensal de 82, maior que o número determinado de 60 homens. Os números, no entanto, foram questionados por Márcio Amaro.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (Sesp), a superlotação em delegacias é resolvida "com a abertura de vagas no sistema prisional, de responsabilidade da Seju, o que acontece gradualmente". Ressalta ainda que, "pela primeira vez, o governo do Estado tenta resolver a questão da superpopulação, problema crônico que se arrasta há mais de 30 anos". Em relação à situação de Londrina, segundo a Sesp, a Polícia Civil está em tratativas com a Seju e a VEP para tentar resolver a questão da melhor maneira possível.


