Curitiba – Depois de dois dias de paralisação e muita reclamação de passageiros, 80% da frota de ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT) de Curitiba e Região Metropolitana voltou a circular ainda ontem nas ruas. A decisão foi tomada pelo desembargador Luiz Eduardo Gunther, do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), depois de consultar todos os envolvidos no imbróglio da greve de motoristas e cobradores, ou seja, o sindicato da categoria, a Urbanização de Curitiba (Urbs), a Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec) e o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp).
As empresas que administram os ônibus que circulam pelos municípios da Região Metropolitana alegam que estão desde o início de janeiro sem receber o dinheiro das passagens. A Urbs, por sua vez, joga a culpa no Governo do Estado, que, por meio da Comec, deveria repassar um subsídio para manter a frota integrada às linhas que atendem a Capital. O montante devido pelo governo estadual já chega a R$ 16,5 milhões, segundo a Urbs.
O acordo fechado em audiência na tarde de ontem, no TRT-PR, só foi possível porque a Comec se comprometeu a quitar pelo menos R$ 5 milhões da dívida até amanhã. A partir de então, as empresas devem depositar os salários atrasados para os motoristas e cobradores. Após o pagamento, a frota deve voltar completamente às ruas. Mas caso o pagamento não seja realizado, os trabalhadores prometem cruzar os braços novamente.
"Agora temos uma previsão de pagamento dos atrasados, porque antes não tínhamos como pedir para os trabalhadores voltarem a trabalhar sem nenhum posicionamento, é complicado. Então, agora eles vão voltar ao trabalho", destacou Anderson Teixeira, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc).
Conforme os ônibus foram voltando a circular, os carros cadastrados para o transporte alternativo, que operaram na segunda-feira e ontem, deixaram de transportar passageiros. A greve começou por conta do atraso no pagamento dos adiantamentos. Tradicionalmente, os trabalhadores recebem até 40% do salário no dia 20 de cada mês. As empresas alegam não ter dinheiro por causa do atraso na "ajuda de custo" que o governo estadual repassa mensalmente para manter a tarifa da RIT.
Na audiência de segunda-feira, o desembargador Luiz Eduardo Gunther havia determinado que motoristas e cobradores mantivessem uma frota mínima nas ruas, sendo 70% nos horários de pico e 50% no restante do dia. Mas no início da manhã de ontem foi possível observar que, embora o sindicato tivesse orientado o retorno dos veículos, a maior parte da categoria descumpriu a ordem judicial. O descumprimento previa multa diária de R$ 300 mil. Entretanto, durante a reunião de ontem, ficou acordado que o Sindimoc não terá que pagar o valor ao cumprir esta nova determinação.
A Comec informou que está negociando com os empresários e a Urbs a continuidade da Rede Integrada e uma revisão do convênio.

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