Após acordo com PCC, a volta à normalidade
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terça-feira, 16 de maio de 2006
Das agências 
São Paulo- Os moradores de São Paulo tentaram voltar à vida normal no quinto dia após o início da pior série de ataques e rebeliões já ocorrida no Estado. As rebeliões terminaram, o ritmo dos ataques caiu e os ônibus aos poucos voltam a circular normalmente. Um acordo firmado entre o governo estadual e as lideranças do PCC, anteontem, deve pôr fim à violência.
Os ataques contra as forças de segurança, deflagrados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), continuaram ainda ontem, mas foram em menor número e não deixaram policiais ou guardas feridos. A Polícia Militar, por outro lado, matou cinco suspeitos de envolvimento com os atentados na Grande São Paulo.
Em Osasco, segundo a polícia, três homens foram mortos e um quarto, baleado, após metralharem o Fórum e uma base comunitária da PM. Outros dois homens foram mortos pela Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), por volta das 2h, no bairro Tranquilidade, em Guarulhos. Com eles, os PMs apreenderam seis coquetéis molotov.
A polícia afirma que todas as mortes ocorreram em confronto. Também foram registrados ataques em Campinas (95 km a noroeste da capital) e Peruíbe (130 km ao sul de São Paulo), sem feridos.
Os ônibus voltam a circular com atraso em São Paulo. Em vários terminais, a operação está sendo acompanhada pela Polícia Militar para prevenir novos ataques.
Anteontem, o medo dos ataques do PCC -que incendiaram 51 ônibus em dois dias, só na capital- provocou a paralisação de dez empresas, todas da zona sul, e o fechamento de 14 dos 25 terminais. O congestionamento bateu recorde às 17h30, com 195 km de extensão.
A expectativa é que o comércio e as salas de aula retornem a funcionar aos poucos, depois que uma série de boatos levou lojas, empresas e entidades de ensino a fechar as portas mais cedo.
A onda de rebeliões promovida pelo PCC atingiu mais de 80 penitenciárias, CDPs e cadeias públicas do Estado. Nos motins, foram mortas 13 pessoas -número não foi confirmado pela Secretaria da Administração Penitenciária. Mais de 340 pessoas foram mantidas reféns.
Motins realizados por presos do Paraná e Mato Grosso do Sul podem ter sido feitos em ''solidariedade'' às ações do PCC. Na noite de ontem, todas as rebeliões foram consideradas encerradas pelo governo estadual.
Foram 81 mortes em mais de 180 ataques realizados desde a última sexta-feira. Os atentados foram uma retaliação do PCC à decisão do governo estadual de isolar lideranças da facção. Na quinta-feira passada, 765 presos foram para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), em uma tentativa de evitar a articulação de ações criminosas.
A ''Folha de S.Paulo'' apurou que a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) deu ordem, ontem, para cessar os atentados e rebeliões em São Paulo, após dois dias de negociações com representantes do governo do Estado. O governo nega.
Nas conversas com representantes da Secretaria da Administração Penitenciária, a facção condicionou o fim dos ataques a benefícios para presos transferidos a Presidente Venceslau e à não entrada da Tropa de Choque da PM nos presídios rebelados.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, negou ontem que a diminuição dos ataques praticados pelo PCC no Estado tenha sido causada por um acordo com a cúpula da facção. Ele atribuiu a redução da violência ao trabalho de repressão da polícia.


