Após a apresentação, candidatos dão início à batalha nos bastidores
Zurique, 10 (AE-AP) - A apresentação dos cinco países candidatos a organizar a Copa do Mundo de 2006 foi apenas um ensaio da batalha que será decidida bem longe das câmeras de tevê. A briga começou ontem, prosseguiu hoje e só deverá terminar em julho do ano 2000, quando será anunciada a nação vencedora. Até lá, os candidatos vão fazer um forte trabalho nos bastidores para ganhar votos dos 24 delegados do Comitê Executivo da Fifa (ver arte) que vão definir o escolhido.
Muitos dos delegados com direito a voto são de origem de países sem tradição no futebol, como Tunísia, Costa Rica, Catar, Turquia, Tailândia, Mali e Botsuana. Nos próximos meses, os membros do Comitê Executivo estarão visitando os países candidatos, para analisar as condições de cada um.
As visitas vão seguir a ordem de apresentação feita em Zurique: áfrica do Sul, Inglaterra, Marrocos, Brasil e Alemanha. Cada nação deverá apresentar um mínimo de oito estádios em condições de abrigar os jogos da Copa. O projeto do Brasil conta com 14 estádios, no total. Além disso, serão levadas em conta as condições de telecomunicações, transporte, capacidade hoteleira e segurança.
Dos cinco países inscritos nessa disputa, Inglaterra e Alemanha são os que apresentam as melhores condições a curto prazo. A Inglaterra realizou, há três anos, a Eurocopa, na qual apresentou uma grande eficiência logística e mostrou ter controlado o problema dos hooligans que afetavam a imagem do futebol inglês. A Alemanha não investiu tanto na propaganda para sediar o Mundial de 2006, e a tendência é que as duas nações dividam as opiniões dos países que apóiam a Copa na Europa.
Da mesma forma, Marrocos e áfrica do Sul dividem ao meio os interesses do continente africano em ser sede, pela primeira vez
da principal competição de futebol do mundo.
Na guerra dos bastidores, os países contam com a força política dos seus embaixadores. João Havelange, que ficou 24 anos na presidência da Fifa, defende o Brasil, tendo Zico, Dunga
Carlos Alberto Torres e Ronaldo como atrações à parte para fazer contrapeso à resistência de Pelé, que se recusou a apoiar o projeto brasileiro. A Alemanha conta com Franz Beckenbauer. Bobby Charlton apóia a Inglaterra e Nelson Mandela representa a áfrica do Sul.





