Após 75 horas, termina rebelião em Bangu 3
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Durou 75 horas a maior rebelião em presídios da história do Rio de Janeiro. Quarenta e sete reféns foram libertados no início da tarde de ontem, meia hora depois que os parentes deles foram agredidos por policiais militares quando faziam uma manifestação pacífica. Os detentos do presídio de segurança máxima Doutor Serrano Neves, Bangu 3, no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio, renderam-se depois que autoridades assinaram um documento garantindo a integridade física dos presos. Eles estavam armados com pelo menos sete revólveres, uma granada, explosivos e facas artesanais.
O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, disse que a demora nas negociações ocorreu pelo temor dos presos em sofrer represálias por causa da morte do agente penitenciário Luiz Carlos Bonfim. Todos os guardas foram afastados do presídio, que ficará sob controle de policiais militares pelo menos até o fim do ano.
Os reféns libertados contaram que os momentos mais tensos da rebelião ocorreram logo que a fuga foi frustrada. Os reféns tiveram de formar um escudo em torno dos detentos. ''Eles diziam que se tivesse que morrer alguém seria um de nós'', disse o serralheiro Francisco da Costa, 44 anos, ainda muito nervoso.
Foram 54 reféns, que passaram os três dias sem água ou luz. Eles se revezavam a cada três horas para formar a barreira humana em torno dos presos. Os reféns contaram ter sido bem tratados, embora não pudessem olhar para os detentos. A rebelião deixou um morto e pelo menos nove feridos.


