Após 7 anos, casal encontra filha biológica
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segunda-feira, 16 de junho de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Durante vários anos, um trecho de cinco quilômetros separou duas famílias que tiveram seus bebês trocados num hospital de Foz do Iguaçu, mas não conheciam seus filhos biológicos. Após muita investigação, essa distância será superada hoje com o encontro dos casais Silva e Barbosa.
O encontro entre pais e filhos acontece hoje na casa de Maria Pereira da Silva, 30 anos, e José Luiz da Silva, 35 anos. Moradores do Morumbi III, região leste, eles oferecem um jantar para Ana Maria, 33 anos, e Edinilson Barbosa, 32 anos, residentes no Jardim São Roque, também localizado na região leste.
É na área leste que Danielle e Franciele moram há quatro anos. As duas meninas nasceram no Hospital Internacional em 24 de outubro de 1995. No entanto, foram supostamente entregues aos pais errados. A vendedora Ana Maria e o garçom Edinilson ficaram com Franciele, enquanto o pedreiro José Luiz e a dona de casa Maria Pereira ficaram com Danielle.
O equívoco só foi descoberto graças a José e Maria. Negros, os dois foram alvo de discriminação porque Danielle é uma criança de olhos azuis, pele branca e cabelos loiros. Maria foi acusada de trair o marido em virtude do seu outro filho, um menino hoje com 12 anos, ter as características dos pais.
Ainda no hospital, Maria chegou a desconfiar da troca de bebês, mas começou a investigar com afinco após o aumento das diferenças físicas. Em maio de 2001, conseguiu dinheiro para realizar o exame de DNA, que comprovaria que Danielle não é sua filha biológica.
Soube, então, que outras 12 mulheres tiveram filhas naquela data. Maria e José fizeram contatos até com mães que haviam se mudado para Curitiba, Joinville (SC) e Itapuã do Oeste (RO). Com o afunilamento, as suspeitas recaíram sobre uma vendedora, de olhos e pele claros. Ela, contudo, se recusava a fazer o teste científico.
Depois de muita insistência, Ana Maria e o Edinilson aceitaram fazer o teste em 10 março de 2003. O resultado ficou pronto uma semana depois, confirmando a troca, que foi noticiada para crianças há dez dias. ''Cada mãe vai continuar com sua filha. Só queremos aproximar as famílias e assim reparar um erro que não foi nosso'', sintetiza Maria Pereira.
Ontem, a Folha entrou em contato com a direção do hospital e foi informada que uma nova diretoria assumiu a empresa em abril deste ano. O caso seria de responsabilidade dos ex-diretores, que, em novembro de 2002, negaram a possibilidade à imprensa. A reportagem não conseguiu contato com os antigos donos. A Justiça Criminal investiga a denúncia.


