A Concessionária Viapar liberou na manhã de ontem o tráfego de veículos no km 2 da PR-444, em Arapongas. O trecho estava interditado havia 45 dias por conta dos danos causados pelas chuvas. No temporal histórico do dia 11 de janeiro, parte da pista foi levada pela enxurrada e uma enorme cratera se formou nas margens de um córrego que havia sido canalizado.
No início da manhã, os operários liberaram a pista no sentido Maringá-Londrina. Uma hora depois, o sentido inverso também foi liberado. A rodovia é a principal ligação entre as duas maiores cidades do interior do Estado. Durante o tempo que a PR-444 ficou interditada, todo o trânsito teve que ser desviado para ruas e avenidas de Arapongas.
Com o tráfego intenso de veículos pesados e o grande volume de chuvas, algumas vias importantes sofreram desgaste, como a Avenida Gaturamo e as ruas Perdizes, Pombas e Flamingos. A Prefeitura precisou fazer reparos emergenciais, mas vários trechos ainda estão esburacados ou com sulcos no asfalto formados pelo excesso de peso das carretas e caminhões
A interdição da PR-444 também gerou prejuízo para empresários com estabelecimentos às margens da rodovia. Ronaldo José de Campos, gerente do Auto Posto MIP, localizado a menos de um quilômetro do ponto afetado, calcula que os 44 dias de interdição da rodovia tenha causado um prejuízo direto de aproximadamente R$ 250 mil. Campos estima que para recuperar movimento que tinha antes do fechamento da pista, deva levar ao menos uns quatro meses.
"A gente tinha cerca de 70 a 100 caminhões por dia no pátio. Com a interdição, o movimento caiu para uns 10 fregueses por dia, gente da cidade ou os pequenos agricultores da região", contou. Ele diz que é impossível prever o tempo que levará para recuperar a freguesia. "O caminhoneiro tem todo um planejamento de viagem, com os locais de parada. Neste tempo, muitos encontraram outros parceiros. Vamos ter que correr atrás para conquistá-los novamente", comentou o gestor Paulo Quental.
Os administradores esperam começar a retomar pelo menos 30% do movimento a partir da próxima semana."Tivemos que dar férias pra 80% do pessoal. Foi angustiante ver as contas chegando e nenhum dinheiro entrando. Agora, todos retornam para que possamos nos reerguer", conta Campos. Com a pista liberada, os empresários locais torcem para que a chuva dê trégua nos próximos dias para evitar mais transtornos e prejuízos. Na tarde de ontem, a água de uma represa à margem da rodovia, próxima ao posto de gasolina, já avançava em direção à pista. A Viapar colocou cones para alertar os motoristas.

EL NIÑO
Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), desde o fim do ano passado estão sendo registradas chuvas acima da média no Paraná. "Desde o fim da primavera temos chuvas acima da média em grande parte do Estado, uma consequência do fenômeno El Niño", explica a meteorologista Ana Beatriz Porto.
Em Apucarana a média histórica é de 209 milímetros de chuva para janeiro. Porém, no primeiro mês de 2016 foram registrados 560 mm, um aumento de 167%. Para fevereiro a média de chuvas em Apucarana é de 179 mm, mas desde o início do mês já foram registrados 224 mm, índice 25,2% maior que a média histórica.
De acordo com Departamento de Estradas de Rodagem (DER), as últimas chuvas fizeram subir para 19 o número de rodovias interditadas no Estado. Na última segunda-feira eram 17 rodovias bloqueadas totalmente ou parcialmente. Ontem, mais duas foram atingidas: a PR-180, próximo a Cruzeiro do Oeste (Noroeste), e a PR-534, entre Miraselva e Centenário do Sul (Norte Central).

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