Rio - Trajando calça jeans e camiseta branca, com óculos de sol, semblante fechado e sem querer dar nenhuma palavra à imprensa que o esperava desde as 8 horas da manhã, o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola atravessou os portões do Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro exatamente às 17h30, depois de cumprir 3 anos e 11 meses de uma pena total de 13 anos.
''Cacciola é o homem!'', gritou um garoto de cerca de oito anos que acompanhava a movimentação da imprensa durante todo o dia, pouco antes de o advogado e o segurança do ex-banqueiro ajudarem a colocá-lo no carro que o levaria para casa.
Com a pena total reduzida a nove anos, será ali que Cacciola vai cumprir mais cinco anos, sendo obrigado a ''bater ponto'' na Justiça do Rio periodicamente e andar sempre com uma carteirinha de identificação como condenado. Não poderá sair do Rio sem autorização da Justiça e não pode deixar o País. ''Mas não precisará usar tornozeleira como os demais presos em liberdade condicional'', disse seu advogado Manuel Jesus Soares.
Cacciola teve de sair a pé do Complexo Penitenciário de Gericinó por causa das exigências burocráticas do presídio. Tão logo foi cercado pelos jornalistas e fotógrafos, ele foi conduzido pelo advogado para um Fiesta Preto, que o levaria para casa. Apesar do tumulto e das promessas dos que acompanharam a espera por sua saída, não houve vaias e até um surpreendente ''boa sorte, seu safado'' pôde ser ouvido em meio à multidão - formada por moradores próximos e por visitantes dos presos.
O ex-banqueiro, dono do banco Marka, falido no início de 1999, foi condenado por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta de instituição financeira.

mockup