Paranavaí - O maior sequestro da história de Paranavaí (Noroeste) terminou na tarde de ontem, exatamente às 17 horas. Ademilson Henrique Vieira, 28 anos, manteve a ex-mulher Jéssica Tatiane Soares, 21, em cárcere privado, na própria residência no Jardim São Jorge.
O sequestro começou na tarde de terça-feira, por volta das 16 horas e só terminou um dia depois, com a rendição do rapaz. Foram 25 horas de intensa negociação com policiais do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí, do 3º Comando Regional de Maringá e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) de Curitiba. Ao todo, 35 policiais participaram da operação.
O motivo do sequestro foi passional. Vieira não aceitou o término da relação com Jéssica, há cerca de um mês. Eles moraram juntos durante dois anos e meio e têm uma filha de três anos. O rapaz estava inconformado com o fato da ex-mulher já estar morando com o ex-namorado, que mora em São João do Caiuá, a 28 quilômetros de Paranavaí.
Assim que Vieira entregou a arma calibre 38 para os policiais, foi algemado e preso em flagrante. Ele está detido na delegacia de Paranavaí e deverá responder pelos crimes de porte ilegal de arma e cárcere privado ou sequestro.
A história do casal praticamente parou a cidade de 82 mil habitantes. Centenas de moradores acompanharam toda a ação e comemoram muito o desfecho do caso, que começou quando Jéssica retornava do trabalho para casa em um ônibus coletivo. Armado, Vieira ordenou que o motorista parasse. Ele entrou no ônibus e levou Jéssica à força para sua residência.
Uma amiga de Vieira, que ficou durante todo o sequestro cuidando da filha do casal, disse que a criança veio passar o Natal com o pai e que na hora de devolvê-la para a sogra de Jéssica, Vieira ligou e disse que a havia sequestrado.
Em menos de uma hora, a polícia já estava cercando a residência. A partir daí, foram momentos de aflição e muita expectativa. Vieira alegou sofrer de depressão e os policiais durante toda a operação, presenciaram oscilações no estado emocional do rapaz, como alterações na voz e calma, euforia e tensão.
Durante a noite de terça-feira, a mãe tentou convencer o filho, mas não houve sucesso. Somente o irmão Adriano, conseguiu estabelecer um contato com o rapaz, através do telefone celular. As conversas se estenderam durante praticamente toda a madrugada. As ligações eram feitas a cada 15 minutos. Por volta das 4 horas da manhã, houve uma trégua e as negociações só foram retomadas ontem pela manhã.
De acordo com policiais, Vieira passou a estabelecer contato visual a partir das 11h30, através de uma janela. Ele exigiu a presença de um advogado e um veículo descaracterizado e com película protetora contra o sol. ''Percebe-se que o psicológico dele está um pouco anormal'', comentou o advogado Antônio Marques Solera, que esteve no local. ''Quero garantir os direitos fundamentais dele até a delegacia, mas ele ainda está muito temeroso sobre o que possa vir a acontecer após sua rendição'', salientou.
Durante todo esse tempo, Vieira ameaçou se entregar por diversas vezes, porém revidava. A imprensa que aguardava do lado de fora, recebia informações policiais de que Vieira estava visivelmente cansado, calmo, porém com muito medo. Em nenhum momento ele agrediu a ex-mulher.
Rendição
Enquanto a tensão no muro da casa de Vieira era tomada por conta das tentativas de negociação, do outro lado da rua não era diferente. Vizinhos e amigos aguardavam o término do sequestro e torciam para uma rendição pacífica. ''Só Deus sabe como vai terminar'', lamentava a dona de casa Cícera Regina Martins, que acompanhava o caso. Assustada com o fato, a moradora do bairro disse que esse ''é o assunto da cidade e até de toda a região. Nunca houve nada parecido por aqui'', afirmou.
Quando o cansaço já tomava conta, Vieira resolveu finalmente se entregar. Exatamente às 17 horas, ele deu a arma aos policiais do Bope, que o algemaram em seguida. Minutos depois, a população vibrou ao ver o rapaz e Jéssica, saindo escoltados.

mockup