Após 20 anos, disputa pela presidência da SRP terá bate-chapa
Eleição da Sociedade Rural do Paraná coloca frente a frente David Dequech Neto e Ilson Romanelli, votação está marcada para 25 de julho
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sexta-feira, 17 de julho de 2026
Eleição da Sociedade Rural do Paraná coloca frente a frente David Dequech Neto e Ilson Romanelli, votação está marcada para 25 de julho

A eleição para a presidência da SRP (Sociedade Rural do Paraná), marcada para o próximo dia 25 de julho, voltará a ser disputada por duas chapas após 20 anos. A última eleição com concorrência ocorreu em 2006. Desta vez, os associados escolherão entre o atual vice-presidente da entidade, David Dequech Neto, candidato da situação, e o produtor rural Ilson Romanelli, que lidera a chapa de oposição.
Poderão votar os associados com, pelo menos, um ano de filiação à entidade. O mandato é de dois anos, com possibilidade de uma reeleição consecutiva.
Embora ambos defendam o fortalecimento institucional da SRP e da ExpoLondrina, as chapas apresentam óticas diferentes em relação aos desafios da entidade. Enquanto Romanelli afirma que pretende reaproximar a Sociedade Rural de seus associados, Dequech sustenta que a atual gestão recuperou a credibilidade da instituição e deve dar continuidade ao trabalho iniciado há quatro anos, com a eleição de Marcelo El-Kadre.


Romanelli afirma que decidiu disputar a presidência após ser procurado por um grupo de associados que pretende fortalecer a participação da base nas decisões da entidade. "Nós nos colocamos à disposição para fazer essa aproximação da Rural com o associado. A SRP vive um bom momento comercial, mas não podemos deixar de lado o nosso principal patrimônio, que é o associado. Uma entidade de 80 anos de existência pertence à sua história, e não a um momento”, defende.
Esta é a primeira vez que Romanelli tenta a presidência da entidade, mas ele já ocupou cargos de diretor de equinocultura, diretor comercial e conselheiro da SRP.
Já David Dequech disse que sua candidatura surgiu por decisão do grupo que administra a entidade desde 2022. Atual vice-presidente e diretor comercial, ele diz que nunca teve um projeto pessoal de presidir a instituição. "Sempre entendi que uma entidade é conduzida coletivamente. Ser presidente, vice ou diretor faz pouca diferença quando o grupo é homogêneo e compartilha as responsabilidades."
Dequech defende que a atual administração representou uma mudança em relação ao modelo anterior e apresentou resultados que justificam a continuidade do trabalho.
Propostas diferentes
Romanelli afirma que sua principal meta é restabelecer a comunicação entre a diretoria e os associados. Também pretende ampliar a representatividade política da SRP em temas como Plano Safra, renegociação de dívidas rurais e políticas públicas voltadas ao agronegócio.
Outra prioridade é equilibrar o perfil comercial da ExpoLondrina com o fortalecimento da participação dos produtores rurais. "A ExpoLondrina precisa continuar sendo um grande evento comercial, mas sem perder sua essência de fomentar o produtor rural."
Entre as propostas estão ainda a reativação do programa Rural Jovem, para formar novas lideranças, investimentos no parque tecnológico da entidade e uma modernização do estatuto social.
Já Dequech defende o prosseguimento dos projetos implantados pela atual gestão, que teve como um dos principais resultados a recuperação do quadro associativo, que ele diz ter caído nas gestões anteriores. "O que estamos fazendo deu certo. Conseguimos aumentar significativamente o número de associados e agora vamos colocar em prática projetos planejados há quatro anos."
Entre eles está a construção de uma arena multiuso no Parque Ney Braga Eventos, investimento estimado em R$ 120 milhões. Segundo o candidato, o projeto já possui alvarás, mas investidores decidiram aguardar o resultado da eleição da entidade para definir sua continuidade.
Representatividade
Os dois candidatos também defendem ampliar a atuação política da Sociedade Rural, embora com enfoques distintos.
Romanelli afirma que a entidade precisa voltar a exercer protagonismo na defesa direta dos produtores rurais junto aos governos municipal, estadual e federal.
Para Dequech, esse processo já foi iniciado durante a atual administração. "Nesses quatro anos reconstruímos o relacionamento com o poder público e com outras entidades. Agora queremos dar um passo além e representar o agronegócio paranaense em âmbito nacional."
Questionados sobre o relacionamento institucional com diferentes governos, os dois candidatos defenderam o diálogo independentemente da orientação política.
Romanelli defende que “o diálogo precisa prevalecer”, independentemente dos representantes eleitos. “Com absoluta certeza, quem estiver no comando do Brasil ou da Sociedade Rural, tem de pensar no agronegócio e no que é melhor para o país. A SRP é uma entidade [de classe] e nós só estaremos fazendo o nosso papel frente à entidade, em busca do crescimento nacional”. defende.
Dequech, por sua vez, reconhece diferenças entre o agronegócio e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse que a entidade deve manter interlocução institucional. "A gente tem que conversar com quem estiver no poder. Independente de afinidade ideológica, é com o poder constituído que precisamos dialogar para defender os interesses do agronegócio."


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



