Rolândia – A cidade de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) acendeu a luz de alerta na guerra contra o mosquito da dengue. Ontem, mais um morador do município que tinha a doença, e estava há uma semana internado no Hospital do Coração de Londrina, morreu. A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) ainda investiga se a morte foi causada pela dengue. Na última semana, o município confirmou o óbito de um homem de 58 anos.
Rolândia já registrou este ano 222 notificações e 54 casos confirmados, dos quais 42 foram em moradores da região central. Apesar do número alto de registros, a secretária municipal de Saúde, Giseli Freitas, garante que o município ainda não vive uma epidemia. "Estamos em uma situação de alerta e não epidêmica. Isso só aconteceria se chegássemos a 180 casos confirmados", frisou. Durante todo o ano de 2013, a cidade registrou 350 notificações e 50 confirmações.
O clínico geral Tertulino Aires Neto, de 71 anos, será cremado na manhã de hoje em Londrina. O médico, natural de João Pessoa (PB), morava há muitos anos em Rolândia e era muito conhecido e respeitado na cidade. Aires Neto sofria de problemas cardíacos há 20 anos, além de ter dificuldades respiratórias. "O seu estado era grave e ele estava na UTI desde o dia 21. Em virtude do problema respiratório ele sofreu falência pulmonar. É difícil afirmar que ele morreu por causa da dengue", informou um amigo da família. O médico deixa a esposa Valci, quatro filhos e uma neta.
De acordo com a assessoria do hospital, a dengue foi confirmada por exames durante o período de internação, mas não foi possível determinar que a doença foi a causa principal da morte.
A Sesa confirmou duas mortes por dengue no Paraná este ano e, além do caso de Aires Neto, investiga também o óbito de uma menina de 5 anos em Sarandi (Região Metropolitana de Maringá).
Segundo Giseli Freitas, o município está tomando as medidas necessárias para evitar um aumento no número de casos, inclusive com a contratação temporária de 20 agentes de combate à dengue, que devem começar a trabalhar até 12 de maio. Atualmente, 16 agentes fazem o trabalho de prevenção e controle na cidade. "Intensificamos muito o trabalho e fizemos o bloqueio mecânico e químico e acreditamos que conseguimos quebrar a cadeia de transmissão. As notificações e o número de casos confirmados já estão diminuindo", apontou Giseli Freitas.
As mortes e o aumento de casos preocupam os moradores. "Ficamos apreensivos porque pode acontecer com a gente também. Infelizmente as pessoas relaxam nos cuidados", ressaltou o aposentado Jorge Piveta, de 70 anos. "Todos estes casos me chamaram a atenção e fiz uma vistoria no meu quintal, mas não tinha nenhum criadouro do mosquito", garantiu o morador da Vila Operária, Jairo Sorpreso, de 57. Para o agricultor Sérgio Tupan, de 62, o poder público tem a sua parcela de culpa, mas a responsabilidade maior é dos moradores. "Cada um tem que cuidar do seu quintal e ficar de olho no do vizinho e se constatar algo errado tem que denunciar", cobrou.

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