Após 11 anos, Polícia encontra suspeito pela morte de Rachel Genofre
Comparação genética com uso de tecnologia aponta detento como autor do crime; corpo de menina foi localizado em mala na Rodoferroviária de Curitiba
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Comparação genética com uso de tecnologia aponta detento como autor do crime; corpo de menina foi localizado em mala na Rodoferroviária de Curitiba
Reportagem local 
As forças de segurança do Paraná, de São Paulo e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública encontraram nesta quarta-feira (18) o suspeito de matar a menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre em 2008. O corpo dela foi localizado em uma mala na Rodoferroviária de Curitiba. Ela tinha apenas nove anos.

A identificação do homem como autor ocorreu por comparação genética, graças à integração da base de dados entre Paraná, São Paulo e Brasília. Houve cruzamento de dados do material genético encontrado sobre o corpo da vítima com o material genético colhido do preso em São Paulo por meio do Banco Nacional de Perfis Genéticos.
Carlos Eduardo dos Santos, 54 anos, está preso na Penitenciária II de Sorocaba, em São Paulo, e tem extensa ficha criminal. Preso desde 2016, já foi condenado a 22 anos de prisão por estelionato, estupro, roubo e falsificação de documento. Os crimes ocorreram em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Na época do crime, Carlos Eduardo dos Santos morava na Rua Alferes Pioli, no Centro de Curitiba, em um raio de 750 metros de distância do Instituto de Educação, onde a menina estudava. Ele trabalhava como segurança em São José dos Pinhais.
A Polícia Civil vai peticionar ainda nesta quinta-feira (19) um pedido na Vara de Execuções Penais que executa as sentenças de Carlos Eduardo dos Santos para que ele seja transferido para o Paraná e depois ouvido pelo delegado responsável pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcos Fernando da Silva Fontes. Há expectativa de que o caso seja reconstituído para que os detalhes do assassinato sejam esclarecidos.
TECNOLOGIA

Segundo o delegado-geral-adjunto da Polícia Civil, Riad Farhat, o software do Banco Nacional de Perfis Genéticos é atualizado semanalmente com material colhido de presos que cometeram crimes hediondos, inclusive no Paraná – mais de 5 mil já foram coletados. A identificação ocorreu depois de um match genético de 23 características entre 23 possíveis, garantindo 100% de certeza de que o homem é o autor do crime.
“O Instituto de Criminalística da Polícia Civil de São Paulo, através da coleta dos dados genéticos desse acusado, jogou no sotfware nacional e acusou positivo para o caso da Rachel. O Instituto avisou a nossa Polícia Científica, que informou a Divisão de Homicídios”, explicou Farhat. “Para a polícia o caso está resolvido, não importando o que ele vai falar. Ele vai ser condenado. Não há o que possa acontecer para que se livre dessa condenação”, afirmou. Segundo o delegado-geral-adjunto, o homem não teria vínculo com a menina, teria agido sozinho e ninguém testemunhou o crime.
Riad Farhat também disse que a Polícia Civil do Paraná nunca deixou de tentar elucidar o crime – já havia feito o cruzamento genético de 116 suspeitos que batiam com o retrato falado da época. “Não paramos em nenhum momento. As dificuldades foram imensas. A polícia tem se desdobrado, mas a gente trabalha com centenas de suspeitos. Jamais abandonamos, mesmo um caso de 11 anos atrás”, complementou.
O CASO
O corpo da menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre foi encontrado dentro de uma mala na Rodoferroviária de Curitiba em 5 de novembro de 2008, dois dias depois dela desaparecer, na saída do Instituto de Educação. Ela foi localizada embaixo de uma escada, numa mala, envolvida em dois lençóis. Laudos técnicos da Polícia Científica do Paraná comprovaram que Rachel sofreu violência sexual.


