Apontado como 3º suspeito de ataque é liberado após se apresentar a fórum
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sexta-feira, 15 de março de 2019
Thaiza Pauluze e Alfredo Henrique <br> Folhapress 
São Paulo - O terceiro suspeito de participar do planejamento do ataque a tiros na escola Raul Brasil se apresentou ao Fórum de Suzano, na Grande São Paulo, por volta das 11h desta sexta-feira (15), foi ouvido e liberado. O Ministério Público não encontrou no depoimento indícios suficientes para apresentar denúncia contra o adolescente de 17 anos.
Na tarde desta quinta (14), o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, havia pedido à Justiça que o adolescente fosse apreendido, por participação na instigação ao crime. Em virtude do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), o processo que vai apurar a participação do jovem correrá em segredo de justiça. Entre os 11 telefones celulares apreendidos pela polícia na quarta-feira (13), um deles pertence ao jovem. Quase todos os outros aparelhos são relacionados a Guilherme Taucci, 17.
O envolvimento do terceiro suspeito teria ocorrido no planejamento do crime, segundo o delegado Ruy Fontes. O dono do estacionamento onde Guilherme Taucci e Luiz Henrique de Castro, 25, guardaram o carro usado no ataque teria informado à polícia a participação do adolescente.
Eder Alves, 36, dono do estacionamento onde a dupla deixou o carro alugado antes do massacre, foi à Delegacia Sede de Suzano nesta sexta-feira, para reconhecer a foto do adolescente de 17 anos apontado pela polícia como o terceiro suspeito pelo crime.
O empresário disse que viu uma terceira pessoa com Guilherme e Luiz, duas vezes, entre os dias 21 e 25 de fevereiro. Porém, afirmou que não reconheceu a fisionomia da foto mostrada pela polícia, apesar "do biotipo da imagem ser igual" a do jovem acusado de incitar o massacre.
No estabelecimento, segundo o empresário, há uma câmera de monitoramento na área de atendimento, local onde o terceiro suspeito não chegou a ir. "Mesmo que a polícia quisesse as imagens, não seria possível, pois o sistema mantém as imagens salvas por apenas sete dias", explicou. Alves já havia sido chamada na quinta-feira para reconhecer uma foto do terceiro suspeito. "Mas me chamaram de novo na delegacia, pois a foto que me mostraram era mais antiga".
INVESTIGAÇÕES
Colegas de classe da Raul Brasil também afirmaram que o adolescente e Guilherme eram muito próximos e, dias antes do massacre, o suspeito havia manifestado o desejo de entrar na escola atirando. Os policiais acreditam que o plano seria executado pelos dois, mas, por motivos ainda desconhecidos, o adolescente acabou excluído da ação. Isso também revela que Guilherme seria o líder.
Fontes disse que a investigação vai tentar descobrir, agora, porque o novo suspeito não participou do ataque. Os policiais acreditam que Guilherme, já sem o comparsa, teria procurado Luiz Henrique para que este pudesse financiar o plano. Como tinha emprego regular, ele teria recursos para comprar as armas e alugar o veículo usado no dia dos assassinatos.
A polícia também apura se Luiz, o mais velho do trio, tinha algum deficit cognitivo. "A gente entende que a personalidade dele não era tão firme a ponto de impedir ou deixar de ingressar na execução de um crime desse, principalmente liderado por uma pessoa que era pelo menos sete anos mais nova do que ele."
Segundo o delegado, os assassinos se inspiraram no massacre de Columbine, ocorrido em 1999, nos Estados Unidos, mas queriam ser ainda mais cruéis. "Eles queriam demonstrar que podiam agir como aconteceu em Columbine, com crueldade e com caráter trágico, para que eles fossem mais reconhecidos do que aqueles", disse Fontes.
A dupla usou um revólver, carregadores, uma besta (arma medieval), um machado, uma machadinha, coquetéis molotov e granadas de fumaça. As roupas usadas seriam inspiradas no jogo de videogame Call of Duty, episódio Ghosts, um jogo de tiro em primeira pessoa.
ENTERRO
Sob aplausos e muita comoção, foi enterrado, nesta sexta-feira, o corpo de Marilena Ferreira Vieira Umezu, 59, coordenadora pedagógica da escola estadual Professor Raul Brasil, morta durante o ataque à escola. Amigos e parentes também acompanharam uma missa durante a manhã. Antes do sepultamento, uma celebração foi realizada na capela do Cemitério Municipal São Sebastião, em Suzano.
O cortejo com o corpo de Marilena chegou ao cemitério por volta das 11h20. O enterro foi realizado na sexta-feira, porque a família aguardava a chegada de um dos filhos da coordenadora que mora há sete anos na China.
"Todo mundo tem de ensinar as crianças em casa. Muitos pais acham que a criança vai aprender alguma coisa na escola e acham que a escola vai ensinar tudo, mas não. A educação vem do berço e foi isso que a minha mãe sempre ensinou para a gente. Ela seu valores para a gente, desde pequeno, e ajudou a gente a entender o que é certo e o que é errado. Quem tem valor, vai ser uma pessoa boa na vida. Não tem segredo", disse o engenheiro mecânico Michael Vieira Umezu, 38, um dos filhos da coordenadora. Ele fala que a mãe tinha carinho pelos estudantes. "Tem muitos alunos bons no Raul Brasil e ela era muito querida lá. Ela gostava dos alunos e queria vê-los se dando bem."
No mesmo cemitério foram enterrados os estudantes Caio Oliveira, 15, Cleiton Antonio Ribeiro, 17, Kaio Lucas da Costa Limeira, 15, e Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16, além da inspetora escolar Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38. O também estudante Douglas Murilo Celestino, 16, e o dono da locadora de veículos Jorge Antonio de Moraes, 51, foram sepultados em outros locais e não participaram do velório coletivo, realizado na quinta-feira na Arena Suzano.(Com Agência Estado)


