Apoio político e econômico internacional motivou Habibie
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sexta-feira, 10 de setembro de 1999
Por Lourival SantAnna 
Jacarta, 11 (AE) O respaldo da comunidade internacional que o presidente Yussuf Habibie ansiava tinha dois componentes: um político e outro econômico.
Na esfera política, o que levou Habibie a adotar o seu Plano B - o tudo-ou-nada do plebiscito - foi o insucesso do chanceler indonésio, Ali Alatas, em convencer o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, de que um processo de independência em Timor Leste redundaria em banho de sangue.
Em fevereiro, Alatas levou a Nova York a posição do governo indonésio, que ainda rejeitava a proposta de realizar um plebiscito em Timor Leste. Annan, no entanto, preferiu ouvir os argumentos de Portugal, de que uma consulta popular seria a melhor solução para Timor Leste.
Se Habibie queria a simpatia internacional, teria de ceder. Foi então que o presidente estabeleceu a data de 1.º de janeiro de 2000 para a independência, uma vez escolhida no plebiscito, em detrimento da autonomia.
"Se os leste-timorenses querem partir, que partam", foi a frase de Habibie, que hoje adquire conotação sinistra, diante da campanha de deportação maciça que se seguiu ao plebiscito.
O respaldo econômico da comunidade internacional também ocupava posição central nos cálculos e preocupações do presidente em fase de consolidação do poder e campanha para a reeleição.
Em face dos indícios de que o programa de reestruturação do sistema bancário e das grandes empresas não estava debelando a corrupção e o nepotismo, nem revertendo a fragilidade das instituições, o Fundo Monetário Internacional, com seu pacote de resgate de US$ 49 bilhões para a Indonésia, o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento já vinham fechando as torneiras.
Em agosto, as suspeitas da comunidade financeira internacional confirmaram-se no escândalo do Banco de Bali, acusado de ter pago US$ 70 milhões para a empresa PT Era Giat Prima, vinculada ao partido governista Golkar, em troca da liberação de crédito pela Agência de Reestruturação Bancária da Indonésia.
O escândalo sugeriu que a crise de 1997 e as providências que se seguiram não só não puseram fim à cultura da propina como criaram novos canais para a sua proliferação.
O diretor do FMI para a ásia-Pacífico, Hubert Neiss, disse, na semana passada, que a instituição não examinaria a carta de intenções da Indonésia - com seu programa de ajuste econômico - enquanto o governo não fosse até o fim nas investigações do escândalo e os envolvidos não fossem levados à Justiça.
Foi justamente o ajuste promovido pelo governo depois da crise de 1997, com cortes de subsídios e aumentos de preços, para obter a ajuda do FMI, que desencadeou as manifestações e saques que levaram à queda de Suharto, em maio do ano passado.
Não deixa de ser irônico que agora o governo indonésio não tenha conseguido sequer apresentar seu programa ao FMI.
A explosão de violência em Timor Leste consuma o isolamento da Indonésia: grandes contribuintes do FMI, Estados Unidos à frente, afirmam que não apoiarão o programa de resgate para a Indonésia se o país não encontrar uma solução pacífica para o problema de Timor Leste. Assim se completa o fracasso da estratégia de Habibie.


