São Paulo, 20 (AE) - O BNDES é a única instituição federal de fomento às empresas brasileiras; por isso, é uma política correta e nada mais do que justificável que a instituição dê preferência às nacionais em financiamentos no processo de privatização. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, sobre o novo papel do BNDES - anunciado em recentes entrevistas de seu presidente Andrea Calabi. "Depois de muitos anos financiando Estados, municípios e empresas estrangeiras, chegou a hora de o BNDES apoiar as brasileiras", diz Piva.
Segundo o presidente da Fiesp, se os recursos do banco provêm dos trabalhadores brasileiros, diz ele, é natural que o BNDES invista, principalmente, em empresas nacionais. "Todas as economias do mundo, de alguma forma, protegem a economia local. Mas, é claro, as empresas devem provar que têm as mesmas condições de rentabilizar o capital emprestado como as internacionais têm", avalia Piva.
Ele acha que as privatizações poderiam ter sido melhor modeladas, de maneira que parte mais substanciosa do capital das estatais privatizadas pudesse ficar nas mãos de brasileiros, seja nas dos detentores de recursos ou dos próprios trabalhadores.
Para o representante dos industriais paulistas, o novo modelo do BNDES, defendido por Andrea Calabi, não pode ser entendido como um sinal de "veto branco" às empresas estrangeiras, que temeriam, assim, encontrar obstáculos para adquirir o controle de estatais. Segundo a avaliação de Piva, as multinacionais devem ser financiadas pelas suas matrizes para investir no Brasil. "As estrangeiras não deixarão de dar investimentos para o País porque o Brasil é um mercado estratégico, é uma plataforma de exportação interessante e o mercado consumidor é extremamente grande", disse.
A participação mais ativa do BNDES na privatização permitirá à indústria brasileira, na opinião de Piva, aparelhar e equipar a produção e capitalizar as empresas para que tenham condições de fazer frente à onda de fusões no mundo. "(As fusões) dão aos competidores internacionais uma escala que o Brasil não tem", disse.
Apoio às pequenas - O presidente da Fiesp acredita que, hoje, a preocupação do governo deve se dirigir para as micro, pequenas e médias empresas - se não diretamente, com o apoio de entidades como a Fiesp e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Horácio Piva reconhece que a abertura da economia brasileira - implantada na década de 90 - , ajudou setores a se reaparelhar, como celulose, têxtil e brinquedos. Mas ele critica a atuação do governo nos últimos anos, que, na sua avaliação, fez com que o Brasil perdesse mercado em alguns segmentos, tais como o de autopeças e de bens de capital.
Piva acredita que a nova orientação do BNDES, de apoio às empresas, com novos métodos de gestão, incorporação de tecnologia, internacionalização e ganho de escala¸ "fará com que o Brasil recupere boa parte do tempo perdido".
Reformas - O Brasil vive um momento relativamente bem resolvido na área macroeconômica, mas precisa se concentrar na aprovação das reformas política, administrativa, previdenciária e tributária, segundo o presidente da Fiesp, Horácio Piva, para que a populsção veja racionalidade no processo decisório do País. "O Brasil deve fechar o ano 2000 com crescimento positivo
e espero que puxado, principalmente, pela indústria paulista. Mas o crescimento deve ser acompanhado com otimismo moderado, porque o Brasil poderia estar crescendo a taxas mais significativas", diz. Para Piva, a atuação do BNDES pode ajudar o desenvolvimento do Brasil, estimulando o lançamento de papéis no mercado internacional, como eurobônus e ADRs.
Segundo ele, as estratégias do governo para promover o crescimento do País estão no rumo certo, mas o governo deve ainda defender o desenvolvimento regional, que depende do poder de competição e distribuição de renda. Horácio Piva defende que os canais de distribuição do País, de acesso à produção e de deslocamento tenham isonomia competitiva em relação aos produtos importados. "Precisamos criar novos mercados e produtos e trabalhar para que sejamos uma sociedade de resultados. E não uma sociedade de eventos, onde tudo termina em palanques", afirmou.

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