Apoio das entidades é fundamental
Londrina "Muita gente que perdeu a visão chegou até nós com ideias de suicídio", revelou o diretor da Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevipar) Gastão Junior Voltas. Ele passou pelo mesmo drama. Há seis anos, sofreu um acidente que lhe tirou a visão. "Nestas horas o apoio das entidades é fundamental. É preciso um amparo para a pessoa compreender que a vida continua", contou.
Atualmente, ele ajuda nos trabalhos da entidade que atende 130 famílias no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. O problema é que instituições do gênero são exceções no Estado. O site da Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC) traz cerca de 20 entidades especializadas em assistência aos cegos no Paraná. Longe dos grandes centros, o acompanhamento é realizado de forma improvisada por outras instituições, o que aumenta a probabilidade de que o cego engrosse as estatísticas de baixa escolaridade ou, em casos mais graves, a total dependência de parentes até mesmo para as atividades mais simples.
Em Londrina, o Instituto Roberto Miranda, antigo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (ILITC), completa 50 anos no mês que vem e é referência para alunos cegos de Londrina e região. A estrutura na zona oeste atende 150 alunos que recebem atendimentos terapêuticos e participam de atividades pedagógicas.
O vice-presidente do Instituto, Márcio Rafael da Silva, professor especialista em educação especial, informou que, dos 150 alunos, 40% são cegos e 60% sofrem de baixa visão. "Para cada situação temos uma estratégia diferente de abordagem, mas os ganhos são perceptíveis em ambos os casos", relata. Silva revela que além do tratamento básico, a equipe multidisciplinar incute nos alunos os princípios de cidadania. "Aqui eles aprendem que são cidadãos com os mesmos direitos. E aprendem a cobrar", diz. "A educação especializada faz toda a diferença na vida deles. E eles reconhecem", completa. (C.F.)





