Apoio da família para superar deficiência
Curitiba- Aos seis meses de idade, Salomão Dutra Lins, que então morava em João Pessoa, na Paraíba, teve meningite. A doença, temida por deixar sequelas graves em grande parte das pessoas acometidas pela enfermidade, causou a surdez irreversível do bebê. Vindo de uma família de oito filhos e poucos recursos, ele cresceu sem acesso a cuidados especiais, mas graças ao grande apoio da família e uma força de vontade gigantesca, desde cedo Salomão foi incentivado a aprender a falar.
Resultado desse esforço, hoje aos 45 anos de idade, Salomão não apenas fala com desenvoltura acima do normal entre os surdos, como também faz leitura labial e sabe se comunicar por meio da linguagem dos sinais. Apesar das limitações por ter surdez total no ouvido direito e surdez severa no ouvido esquerdo, ele leva uma vida normal. É casado, tem filhos e é pastor da Igreja Evangélica Quadrangular.
''No começo foi difícil'', afirma Salomão. Uma das piores fases, segundo ele, foi na adolescência. ''Eu notei que eu falava, mas as pessoas não me entendiam. Daí comecei a ler. Eu pegava um livro e lia em voz alta até a garganta doer. Parava. Quando a garganta melhorava, eu voltava a ler'', diz. Outro problema foi a rejeição pelas meninas. ''Ele jogava futebol, tinha pernas bem feitas. As meninas o achavam bonito, vinham conversar, mas desistiam quando viam que ele era surdo'', conta a pedagoga Eliane das Graças Santos Lima, especializada em aulas para surdos, e casada há 12 anos com Salomão.
Para ela, o apoio da família foi fundamental para que ele superasse o preconceito. ''A família acreditou nele. Eram oito irmãos e ele não foi tratado com diferença, nem com indiferença nem como coitadinho'', diz. (M.G.)





