Zaragoza - A apnéia do sono em crianças pode derivar de uma perda de pontos do coeficiente intelectual, que na maioria dos casos é irreversível se não for tratada, disse ontem o especialista em distúrbios do sono infantil David Gozal.
Gozal, que falou em uma conferência sobre a síndrome da apnéia obstrutiva do sono das crianças na XI Reunião Anual da Associação Ibérica de Patologia do Sonho (AIPS), ressaltou a importância que têm as consequências da síndrome.
Na opinião do especialista, entre 2 e 3 por cento das crianças entre dois e oito anos ronca e entre 7 e 13 por cento tem problemas de sono por apnéia obstrutiva – interrupções da respiração durante o sono –, na maioria dos casos produzida por uma hipertrofia das amídalas e das adenóides.
Entre as consequências da apnéia, o médico destacou as relacionadas com o comportamento que podem se manifestar em forma de hiperatividade e problemas de atenção, o que pode corroborar para um mau diagnóstico e tratamentos com estimulantes no qual cerca de 7 por cento das crianças fazem, quando, na verdade, parte delas tem distúrbios do sono.
Os problemas escolares de capacidade intelectual e de memória são outras consequências e ficou comprovado que crianças com distúrbios do sono por apnéia perdem pontos do coeficiente de inteligência.
Gozal considerou necessário aumentar a sensibilidade dos médicos de família e pediatras sobre a existência e frequência da síndrome de apnéia obstrutiva. ‘‘É preciso perguntar se o menino ronca, se tem problemas de comportamento ou de estudos’’ para diagnosticar e tratá-los com o objetivo de evitar que sejam tratados de maneira errada e prevenir a perda de parte de suas capacidades intelectuais.
Assegurou também que se a apnéia obstrutiva não for tratada na infância, as crianças correm o risco de desenvolver doenças cardiovasculares de maneira mais severa e prematura.
Gozal compareceu em uma entrevista coletiva acompanhado por Eduard Estevill, do Instituto Dexeus de Barcelona, que realizou inúmeros estudos sobre a insônia em crianças e que se referiu às horas de sono recomendáveis para as crianças.
Estevill considera que entre os seis meses e os cinco anos, as crianças devem dormir 11 horas seguidas mais os intervalos durante o dia; dez horas seguidas de sono para as crianças de 7 a 8 anos, e pelo menos nove horas para os pré-adolescentes e um mínimo de sete horas e meia para os adultos.

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