Aplicação de laser previne cáries
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terça-feira, 27 de setembro de 2005
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Campinas - Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) mostra que o laser de dióxido de carbono tem se mostrado um forte aliado na prevenção de cáries. Os pesquisadores demonstraram que, após a aplicação do laser, os dentes criam resistência ao ácido produzido pelas bactérias, que provoca as cáries. Os testes foram feitos em laboratório e em próteses usadas por voluntários.
Segundo a pesquisadora e cirurgiã-dentista Lidiany Karla Azevedo Rodrigues, ainda é preciso desenvolver os testes clínicos, em humanos. De acordo com Lidiany, o laser aumenta a temperatura da superfície do dente, causando uma espécie de derretimento do esmalte que, ao solidificar novamente, apresenta maior resistência. Utilizado isoladamente, torna o dente 33% mais resistente.
Aplicado juntamente com cremes dentais fluoretados, esse índice sobe para 76%, conforme a pesquisadora. Ela estimou pelo menos mais dois anos de pesquisas para que a técnica possa ser utilizada clinicamente.
Lidiany afirmou que a técnica não altera visivelmente a estrutura do dente e não interfere na cor.''Para enxergar a alteração na estrutura é preciso olhar com uma lupa'', alegou a professora. Ela explicou que a aplicação poderá ser feita em adultos e crianças, mesmo sobre dentes já restaurados. ''Pode-se fazer a aplicação ao redor da restauração para fortalecer a região e impedir o surgimento de novas cáries'', afirmou.
A técnica, porém, não deve ser encarada como a solução definitiva contra as cáries, alertou Lidiany. Ela disse que o laser deverá ser usado em pessoas com maiores riscos de desenvolver cáries e em regiões mais sensíveis dos dentes, como lugares de difícil acesso na escovação e a superfície, onde as cáries são mais comuns. ''Em larga escala, o uso de flúor ainda é o método mais adequado'', defendeu.
A pesquisadora lembrou que a técnica começou a ser desenvolvida na Universidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), durante o pós-doutorado de sua orientadora, Marinês Nobre dos Santos Uchôa, professora da Faculdade de Piracicaba. ''Lá eles também desenvolvem a pesquisa, mas estamos mais avançados porque já fizemos os testes preliminares'', alegou. O custo de um aparelho de laser gira em torno de R$ 200 mil.


