Apiaí, SP, 31 (AE) - O prefeito de Apiaí, Donizete Borges Barbosa (PMDB) decretou estado de calamidade pública no município, hoje, por causa do fechamento do Hospital Beneficente Adhemar de Barros, único da região, ocorrido na semana passada. Barbosa decretou também intervenção municipal na unidade hospitalar para evitar "prejuízos irreparáveis" aos 29 mil moradores que estão sem atendimento.
O hospital atendia quase cem pacientes por dia e, com o fechamento, os doentes passaram a ser mandados para Sorocaba, a 220 quilômetros. A prefeitura vai contratar, em caráter emergencial, uma equipe de 20 a 30 paramédicos e cinco médicos para retomar o atendimento dos casos de urgência. "A situação está insustentável, pois há vidas em risco", disse o prefeito.
Ontem, uma colisão de automóveis deixou quatro pessoas feridas e uma das vítimas teve que ser levada à Santa Casa de Capão Bonito. "Temos gestantes prestes a dar à luz e não podemos correr o risco de deixá-las sem atendimento na hora do parto", afirmou Barbosa. Internações - O hospital suspendeu as internações há oito dias por falta de verba para a compra de materiais e medicamentos. Havia falta de luvas cirúrgicas, fios de sutura, seringas e outros produtos básicos. O dinheiro que estava nas contas correntes foi sequestrado pela Justiça do Trabalho para pagamento de indenizações trabalhistas. Os 70 funcionários estão em férias coletivas desde o dia 26.
A unidade, que atende a população de outros quatro municípios da região, vinha mantendo um plantão à distância para casos de emergência, mas também esse serviço foi suspenso. Segundo o administrador Giovanni de Souza Corcóvia, a crise vem afetando o hospital, de caráter filantrópico, há quase dez anos e as dívidas acumuladas chegam a R$ 1 milhão. Hoje, ele disse que a intervenção é apenas um paliativo. "Vai garantir o atendimento de urgência, mas não resolverá os casos que requerem internação".
Corcóvia reuniu-se com secretários de Saúde dos cinco municípios, na Câmara de Apiaí, em busca de uma solução. "Nossa proposta é formar um consórcio que torne viável pelo menos o funcionamento do pronto-socorro", disse. Segundo ele, as prefeituras deixaram de repassar R$ 77 mil nos últimos meses, agravando a crise do hospital. A unidade possui 72 leitos e vinha realizando 300 internações por mês.

mockup