São Paulo, 12 (AE) - Os mercados internacionais podem voltar a se abrir para o Brasil ainda no primeiro semestre. Alguns analistas já prevêem que companhias brasileiras poderão testar o mercado daqui a dois meses. Mas mesmo os mais otimistas acham que só empresas de primeiríssima linha terão alguma chance de captar recursos no exterior no curto prazo.
Em março e abril os agentes internacionais vão estar monitorando de perto o desempenho da economia e o cumprimento das metas incluídas no acordo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os meses de maio e junho devem marcar o início da volta dos investidores internacionais ao Brasil e não se pode descartar a retomada de lançamentos de instrumentos externos, como ADRs e eurobônus, opina Jorge Kapotas, diretor de Tesouraria Internacional do Credibanco.
O Credibanco é associado ao Bank of New York, que em 1998 foi apontado como custodiante em cerca de 80% dos novos programas de ADRs da América Latina.
Kapotas afirma que muitas empresas estão com emissões no pipeline (com emissão preparada), aguardando apenas uma mudança nas condições do mercado. Para ele, apesar do risco, o investidor externo não tem como ignorar o potencial das empresas brasileiras, sobretudo em setores nobres, como o siderúrgico e o de telecomunicações.
"O apetite pelo risco Brasil pode voltar dentro de uns dois meses", afirma. Ele acrescenta que os preços que dão a medida do risco Brasil, como os dos Bradies e dos bônus globais, já estão refletindo a melhor disposição do mercado internacional em relação ao Brasil.
A mudança na percepção externa está sendo favorecida pelo novo programa fechado com o FMI, a indicação de Armínio Fraga para o Banco Central, o avanço na aprovação da CPMF e no entendimento entre os governos federal e estaduais, diz Alfred Dangoor, diretor de Mercados de Capitais Internacionais do Citibank.
Ele acredita que o prazo para a volta das empresas brasileiras aos mercados internacionais vai depender em grande medida da recepção à emissão de papéis de renda fixa da República, que o mercado espera para abril. As emissões de empresas, segundo Dangoor, só devem acontecer no segundo semestre.
Enquanto os novos lançamentos dependem da recuperação da confiança internacional, o mercado secundário de ADRs mostra boas condições de atrair novos investidores, afirma Rene Boettcher, vice-presidente assistente para ADRs do Bank of New York.
Ele afirma que a queda recente dos preços tornou os papéis brasileiros uma boa opção para o investidor internacional. Dados do Deutsche Bank mostram que entre o início do ano e o último dia 10, a maioria dos ADRs brasileiros acumula queda superior a 10%.
No período, Brahma caiu 15,9%, Eletrobrás ON teve queda de 14,8%, Pão de Açúcar recuou 12,1% e Petrobrás PN, 15,8%.

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