Teneimura, Japão (AE-AP) - Akihiko Koike é obcecado. A cada dois meses, ele dirige-se para as montanhas ao norte de Tóquio, um local que é uma cópia de um castelo britânico, onde gasta US$ 400 para jogar sinuca, saborear pints (medida britânica para líquidos) de cerveja e alimentar seu hábito: falar inglês.
"Antes, eu só havia estudado gramática, leitura e escrita, ou seja, eu não conseguia falar de maneira alguma", diz o oftalmologista de 47 anos a respeito de suas aulas na escola British Hills, onde estuda há três anos.
A busca de Koike, e sua frustração, é centro de um tempestuoso debate nacional no Japão sobre a cruzada de décadas do país para melhorar suas habilidades com a língua inglesa. A discussão aumentou ainda mais depois de a equipe do governo afirmar, no último mês, que o futuro do Japão como uma das principais nações industriais do mundo depende do domínio do inglês.
"Alcançar as necessidades mundiais de excelência exige que todos os japoneses adquiram conhecimento prático do inglês, não apenas como língua estrangeira, mas como língua internacional", disse o comitê, levantando até mesmo a hipótese de fazer do inglês a segunda língua oficial do país. Uma espiada pelo Japão sugere que as pessoas já estão se esforçando bastante.
O ensino de inglês é uma indústria bilionária no Japão, onde a maioria dos habitantes estuda a língua por seis anos antes mesmo de terminarem o ensino secundário. Os japoneses parecem "despejar" seu inglês sobre os ocidentais toda vez que têm uma oportunidade. Mas todo esse trabalho ainda não surtiu efeito. Ano após ano, os estudantes japoneses fazem o exame de inglês como língua estrangeira, usado pelas universidades americanas para testar o conhecimento de seus candidatos estrangeiros. E, ano após ano, o Japão é um dos últimos colocados. Os resultados são um perpétuo tapa na cara de um dos mais ricos e bem educados países do mundo.
À frente do Japão estão a China e até mesmo a empobrecida Coréia do Norte. No ano passado, o Japão fez alguns avanços, mas continua à frente apenas de Afeganistão, Camboja e Laos no continente asiático.
"Considerando a quantidade de recursos que eles têm à disposição e os investimentos que fazem no ensino da língua, eles deveriam estar se saindo melhor do que conseguem", diz Gregory Clark, presidente da Universidade Tama em Tóquio e comentarista frequente do ensino da língua japonesa.
Mas há boas razões para isso. Em primeiro lugar, poucas línguas são tão diferentes quanto inglês e japonês. A ordem das palavras é frequentemente revertida e as combinações de consoantes do inglês são diabolicamente difíceis para os nativos japoneses.
Mas há mais do que isso. O sistema de educação japonês, com sua ênfase em rotina de memorização, não funciona para o estudo de línguas estrangeiras. Os estudantes gastam seu tempo treinando regras de gramática, mas não aprendem a se comunicar. "Nós lemos e escrevemos bastante inglês na escola, mas não temos oportunidade de falar e ouvir a língua", diz Kazumi Shimodate, 22 anos, estudante universitário que estuda fora de Tóquio. "Então, se quiser este tipo de prática, tenho que fazer algo fora da escola."
Para Shimodate, terminar o curso na British Hills preencheu esta lacuna. Localizada em Teneimura, 185 quilômetros ao norte de Tóquio, a instituição, cuja construção foi concluída em 1994 a um custo de US$ 70 milhões, ensina inglês com alta dose de "atmosfera". Os estudantes vivem em acomodações no estilo tudor e têm a oportunidade de falar inglês enquanto frequentam taverna Falstaff.
Eles pagam por qualquer extra. Os preços pela aulas de final de semana ficam em torno de US$ 400. Cursos mais longos e mais elaborados, incluindo preparo de comida, podem chegar a centenas de milhares de dólares.
Nem todo mundo no Japão, porém, apóia a crescente ênfase no ensino da língua. Críticos dizem que crianças pequenas deveriam falar bem o japonês antes de receber aulas de outra língua. Outros acreditam que o estudo do idioma rouba o tempo de estudo de outras matérias mais importantes. E alguns japoneses dizem que a febril atenção à língua não é saudável.
Yukio Tsuda, autor do livro "Invasão do Inglês, contra-ataque do japonês", diz que a fascinação do Japão pelo inglês é um sintoma da dominação cultural do mundo pelos americanos e anglo-saxãos.
"Os japoneses são obcecados pelo aprendizado do inglês e isso tem de ser eliminado", diz Tsuda, professor de comunicação internacional da Universidade de Nagoya, que sugere que as crianças estudem chinês e coreano em vez da língua de Shakespeare.

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