Viena, 01 (AE-AP) - Desafiando a União Européia (UE) e os Estados Unidos, o líder conservador austríaco Wolfang Schuessel manteve hoje (01) as negociações com o direitista Joerg Haider para formar o novo governo da áustria.
"Estou levando em consideração as preocupações de nossos parceiros europeus, mas a melhor maneira de acabar com os temores é apresentar um programa de governo razoável", disse Schuessel depois de uma reunião com o presidente Thomas Klestil e o chanceler social- democrata demissionário Viktor Klima.
"Vamos apresentar nossa plataforma administrativa ao presidente e ele decidirá o que fazer", acrescentou Schuessel.
Apoiada agora também pelo governo dos EUA, a UE reiterou hoje ameaças de isolar a áustria se o governo do país vier a ser controlado pela extrema direita racista e xenófoba de Haider.
"Essa decisão dos Estados da UE foi adotada sem ouvir a áustria e contradiz o espírito dos tratados europeus", reagiu Schuessel, que acumula os cargos de ministro das Relações Exteriores, vice- chanceler e presidente do Partudo Popular áustríaco (OEVP). "Asseguro que a áustria jamais abandonará o caminho da integração européia."
Chefe do Partido da Liberdade (FPOE), Haider marcou sua trajetória política com um discurso favorável à expulsão da "superpopulação estrangeira" do país e contrário à expansão da UE. Ele dirige frequentes ataques corrosivos contra os sócios europeus do país, principalmente França e Bélgica.
Hoje, a Comissão Européia (órgão executivo da UE) manifestou apoio integral a um isolamento político da áustria caso o partido de Haider assuma o poder. E o primeiro-ministro português, Antonio Guterres, que exerce a presidência rotativa da UE, voltou a advertir o presidente austríaco, Thomas Klestil, sobre as "consequências de um regime de extrema direita que viole os preceitos democráticos e de respeito aos direitos humanos da comunidade".
Em resposta, Klestil exigiu que a áustria seja tratada como um membro soberano da instituição.
Os EUA, num comportamento inédito perante o tradicional aliado europeu, manifestaram integral solidariedade à UE na questão. "A entrada do Partido da Liberdade num governo austríaco vai afetar nosso relacionamento bilateral", advertiu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, David Leavy. "Se isso ocorrer, vamos considerar a adoção de passos idênticos aos dados pelos governos europeus."
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, reafirmou o respaldo da Alemanha ao presidente da UE, Antonio Guterres. "Precisa ficar bem claro que não queremos nada com políticos como herr Haider e isso não é interferir em assuntos de outro país."
Os austríacos, de uma forma geral, receberam com indignação o que classificam de pressões externas contra um país soberano. A Bolsa de Valores de Viena fechou em baixa, com o índice ATX perdendo 1 ponto porcentual em relação ao dia anterior. O turismo, principalmente no Tirol, já começou a sentir os reflexos da crise. Muitos turistas europeus cancelaram suas reservas nos hotéis da região.

mockup