Apesar da trégua na Anvisa, HC está sem medicamentos
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A interrupção temporária da greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), trégua que teve início na semana passada, não representou alívio para a situação do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A instituição continua com carência de medicamentos, soluções e kits de laboratório.
Após o início da trégua, alguma coisa foi entregue, mas pouca, comentou Mariângela Honório Pedrozo, diretora de assistência do HC. Para garantir os serviços, a direção do hospital estava requisitando empréstimo de alguns itens. Entretanto, segundo Mariângela, devido ao esgotamento nos estoques das outras instituições, não está sendo mais possível emprestar alguns recursos.
Entre eles, kits para testes de hepatite e Aids e uma solução, importada da França, para manutenção de órgãos. Não temos como fazer transplante. Por enquanto, nenhuma cirurgia do tipo foi cancelada devido a esse motivo (falta da solução), mas isso não deve demorar a acontecer, afirmou a diretora.
De acordo com Mariângela, há uma promessa de entrega de uma encomenda da solução na semana que vem. No estoque de medicamentos, há carência principalmente de remédios para tratamento de câncer. Outro problema é que, devido à greve, alguns fornecedores de produtos importados deixaram de enviar alguns itens porque não queriam pagar taxa de armazenamento, explicou Mariângela.
Os fiscais da Anvisa voltaram ao trabalho no dia 3. Os servidores afirmaram que iriam trabalhar durante dez dias, prazo que definiram para fechar acordo com o governo. Segundo Paulo Sérgio de Carvalho, integrante do comando de greve e da Federação Nacional dos Servidores Públicos da Seguridade Social (Fenasps), uma reunião com representantes do governo federal sobre as reivindicações da categoria seria realizada ontem. A greve teve início no dia 21 de fevereiro.
No início da semana, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que passou a ter problemas pontuais devido à falta de alguns medicamentos e outros produtos em função da greve na Anvisa. A Associação dos Portadores de Parkinson apontou ontem que há quase dois meses não recebe o remédio Benzerazida, para controle da doença. Por isso, alguns pacientes estão comprando o medicamento por conta própria.


