Apesar da crise argentina, brasileiros apostam na Argenplas'2000
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 29 (AE) - Dentro de um clima de tensão e de disputas no Mercosul, a Argentina vai realizar na próxima semana a Argenplas 2000, uma tradicional feira de produtos plásticos. O Brasil terá 27 companhias participando da mostra, sendo que o País é superavitário na balança comercial deste setor e tem a possibilidade de trazer para cá empresas argentinas, admitem os analistas do setor petroquímico.
No ano passado, as 2.600 fábricas do parque industrial argentino de plásticos transformaram 1,150 milhão t de resinas, empregaram 30 mil trabalhadores e faturaram US$ 4 bilhões. Do Brasil, a Argentina importou US$ 191 milhões em matérias-primas plásticas e US$ 75 milhões em produtos acabados. E exportou US$ US$ 121 milhões em resinas termoplásticas e US$ 50 milhões em bens plásticos.
Além do déficit na balança comercial da indústria de plásticos, empresários argentinos procuram sócios no Brasil, para transferir suas operações de lá para cá, reduzindo ainda mais um setor da economia argentina que é cerca de três vezes menor do que o brasileiro. É nesse clima que acontece, de 3 a 8 de abril, em Buenos Aires, a 8ª Exposição Internacional de Plásticos (Argenplas2000).
Dos 475 expositores, 27 são brasileiros e a Câmara Argentina do Plástico, organizadora da Argenplas, estima que a feira terá 90 mil visitantes. Apesar da crise, os números desta feira são maiores do que os da Argenplas1998: 415 expositores, dos quais 24 brasileiros e 72.350 visitantes. Este ano, expositores brasileiros que costumavam atrair o público com shows e atividades de recreação, para que conhecessem seus novos produtos, nesta edição vão limitar-se a construir estandes discretos, sem artifícos para chamar a atenção, devido ao clima tenso que vem marcando as relações comerciais entre os dois países.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, o investimento na Argenplas2000 compensa, "porque a crise argentina não é eterna". Para ele, os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) têm que se conscientizar que um bloco comercial deve relacionar-se com outros e não esperar que todos os negócios dependam apenas de seus membros.
A OPP Petroquímica, empresa da Odebrecht Química, aposta no mercado vizinho, levando dois de seus mais recentes lançamentos no Brasil. Um deles, o polietileno de baixa densidade linear (PEDL) encolhível pelo sistema termocontrátil. Simplificando, trata-se daquele plástico que serve para juntar várias garrafas de refirgerante ou latas de cerveja em fardos transparentes, muito usado nos supermercados brasileiros.
A demanda brasileira por esse produto é de 42 mil t/ano no setor de alimentos e de 21 mil t/ano para produtos diversos. O market share da OPP nesse segmento de mercado é de 11% e 80%, respectivamente. Já na Argentina a empresa estima que a demanda total pelo plástico seja de 15 mil t/ano. "Não vamos vender filmes prontos, só as resinas termoplásticas por meio de um distribuidor", garante o gerente de assistência técnica da OPP, Luís Fernando Cassinelli.
Outra novidade da empresa, já usada no Brasil e em fase de teste no mercado vizinho, é a mistura de duas resinas na própria indústria petroquímica, eliminando uma fase do processo na fábrica dos transformadores de plásticos. "Com isso, nossos clientes poderão receber a matéria-prima a granel, prática antes impossibilitada porque tinham que misturar dois sacos de um produto com um do outro em suas máquinas", explica Cassinellli. Ele não soube dimensionar a economia a ser gerada pelo novo produto.


