Washington, 13 (AE) - O Brasil é um dos países que fez progressos na realização do ambicioso objetivo de redução da pobreza extrema à metade de seu nível de 1990 até 2015, endossado pela comunidade internacional em várias conferências das Nações Unidas, de acordo com o anuário estatístico Indicadores do Desenvolvimento Anual do Banco Mundial, divulgado hoje (13).
Segundo o estudo, apesar do impacto social negativo da mais recente crise financeira, dois terços dos ganhos obtidos com a redução de 30% da pobreza absoluta nos dois primeiros anos de execução do plano real foram preservados. Essa é uma exceção num quadro geralmente desalentador, informou o BIRD. Na América Latina e no Caribe, por exemplo, onde a pobreza extrema está restrita a uma parcela relativamente pequena da população (15% vivem com menos de US$ 1 dólar por dia e 36%, com menos de US$ 2), a maioria dos indicadores sociais continua estagnada, tanto em números absolutos como proporcionais.
Na ásia, que vinha registrando os maiores avanços, especialmente por causa da China, o progresso na redução da pobreza foi estancado pela crise financeira de 1997/1998. No sul do continente, houve uma reversão: o número de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia cresceu de 495 milhões para 522 milhões. Na áfrica ao sul do Saara, houve um aumento proporcional ainda mais acentuado, de 191 milhões para 243 milhões. Na Europa e na ásia centrais, a distribuição de renda piorou. Em consequência, o fosso entre ricos e pobres continou a aumentar, conforme já haviam mostrado outros estudos do BIRD e de outras instituições.
De acordo com o estudo, os 15% da população mundial, ou aproximadamente 900 milhões de pessoas, que vivem nos países industrializados da América do Norte, Europa e Japão, ficaram com 80% da renda mundial em 1998, recebendo em média cerca de US$ 70 por dia.
Em contraste, para os 57% que vivem nas 63 nações mais pobres sobraram apenas 6% da renda mundial, ou menos de US$ 2 por dia. Embora a proporção de pessoas que vivem na pobreza extrema tenham caído de 28% para 24%, em função do aumento da população mundial, nada menos de 1,2 bilhão de habitantes da Terra continuam a subsistir hoje com menos de US$ 1 por dia. Essas estatísticas formam parte dos argumentos dos milhares de manifestantes que prometem tomar as ruas de Washington neste fim de semana para protestar contra as políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, durante a reunião semi-anual de seus órgaos deliberativos. Eles acreditam que as políticas das duas instituiçÓes são parte do problema e não da solução.
Apesar das tendências desfavoráveis do momento, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, disse que "objetivo de redução das taxas de pobreza pela metade continua viável na maioria das regiões, se o crescimento for retomado e não houver mais aumentos das desigualdades". Com a economia mundial em franca retomada, progressos em alguns setores específicos parecem justificar a esperança de Wolfensohn. Nos anos 90, por exemplo, apesar da estagnação econômica, os indicadores de subnutrição caíram de 32% para 27%. As maiores reduções aconteceram na ásia (em números absolutos) e na América Latina (em números proporcionais). Da mesma forma, a maioria dos países reduziu a taxa de mortalidade de crianças com menos de 5 anos - dezessete deles a um ritmo suficiente para se colocar em posição de atender à meta internacional de corte da taxa em dois terços até o ano 2015.

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