São Paulo, 02 (AE) - Os supermercados de pequeno porte que conseguiram investir em equipamentos, informatização e serviços e estão preocupados em atender a perfil de consumo de seus clientes tiveram no último ano um bom resultado, apesar da concorrência. Pesquisa feita com 85 lojas de pequeno varejo, de 57 supermercados, em média com área de vendas de 623 metros quadrados, seis caixas e faturamento de R$ 400 mil, revelou que em um ano o valor da venda média por metro quadrado aumentou 11 3% e o faturamento (crescimento real) 5,3%.
Eles conseguiram sobreviver à reviravolta que tomou conta do setor com a chegada de empresas estrangeiras ao País e às mudanças que têm sido provocadas pelas grandes redes com a onda de fusões e aquisições. Todo este movimento, segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga) já provocou o fechamento de nove mil pontos-de-venda, de quitandas a hipermercados, em todo Estado de São Paulo, nos últimos cinco anos. Quem sobreviveu, modernizou-se e está procurando se valorizar na prestação de serviços. Mas este varejista de menor porte também está preocupado com o interesse das grandes redes em adquirir lojas pequenas para atuar neste nicho de mercado.
A pesquisa com as lojas de pequeno porte foi feita pelo economista Nelson Barrizzelli, professor da Universidade de São Paulo, entre novembro e dezembro de 1998 e repetida no mesmo período um ano depois. Abrangeu supermercados localizados em todas as regiões da cidade e com no máximo três unidades.
O acompamento do desempenho das vendas dos supermercados deixou claro que os resultados alcançados dependem muito mais de certos cuidados que o varejista têm com suas lojas do que de fatores externos, como a existência de padarias, açougues ou sacolões na vizinhança ou da presença de hipermercados em áreas de influência. "Não existe nenhum fator determinante indicando que o pequeno varejo voltado para as compras de conveniência ou de reposição do dia a dia vá desaparecer por causa das grandes lojas", diz Barrizzelli.
Permanência - Mais da metade das lojas pesquisadas, 53 4%, está instalada no mesmo local há mais de dez anos, 26,2% entre cinco e dez anos, 11,7% entre dois e cinco anos e o restante 8,7% há menos de dois anos. Estas lojas são frequentadas por 75% de consumidores que vão diariamente e até várias vezes ao dia ao supermercado para comprar produtos de reposição. O gasto médio é baixo, em torno de R$ 11,00, segundo Barrizzelli, justamente por estas lojas efetuarem venda de conveniência.
A pesquisa mostrou que contribuíram para aumentar vendas produtos bem divididos dentro das lojas, preços visíveis e de fácil identificação e higiene impecável, que no caso abrange o uso de luvas ou plásticos por funcionários da seção de perecíveis para manusear produtos e balcões bem conservados na seção de frios e laticínios. Contam pontos a favor da loja também os açougues com balcões modernos que oferecem carne pré-embalada, a existência de congelados e de produtos prontos e semi-prontos e uma iluminação direcionada para destacar produtos. "Lojas atentas a esses aspectos de serviço, higiene e conveniência têm bom retorno, independentemente de concorrentes."
Outros fatores que poderiam preocupar o varejista, revela a pesquisa, como a presença de açougues, sacolões e padarias nas proximidades e a existência de hipermercados na área de influência da loja não têm reflexo no desempenho desses supermercados. "O público desses pequenos supermercados está numa área de até 650 metros mais ou menos de distância da loja"
diz Barrizzelli. E embora todos estejam em áreas de influência de grandes hipermercados, não sofrem concorrência forte porque estão voltados mais para a venda de reposição, enquanto os grandes atendem as de abastecimento do mês.

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