Apesar da competição, Embratel não pensa em reduzir tarifas
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 5 (AE) - O presidente da Embratel, Dúlio Sérgio Penedo, informou hoje que ainda não há definição sobre a política de tarifas a ser aplicada a partir de 1º de julho, quando a empresa perderá o monopólio na telefonia de longa distância, com a entrada de novas operadoras no mercado. No entanto, ele praticamente descartou a possibilidade de redução dos preços como forma de enfrentar a concorrência.
Durante encontro com empresários de telecomunicações, na Câmara de Americana de Comércio, Penedo argumentou que, depois da cisão da Telebrás em 12 empresas privadas e de capital aberto
a Embratel ficou com 4 milhões de acionistas, do Brasil e do exterior, que cobram resultados e a quem tem que prestar contas.
Acrescentou que, apesar dos esforços para redução de custos, como o enxugamento de 30% do quadro de funcionários, os balanços da empresas apresentam aumentos tímidos de rentabilidade, muito longe ainda dos 7% ou 8% pretendidos.
Penedo disse também que a Embratel ainda está investindo na rede de cabos protegidos de todo o Brasil, principalmente de regiões distantes, que não são alvo de investimento de grande parte das operadoras, mais concentradas em geral no eixo SP-RJ-MG.
A instalação de linhas nestes locais, segundo Penedo, não gera lucro, mas obedece a uma das cláusulas do contrato de concessão, para assegurar a universalização dos serviços. O contrato, fiscalizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), também estabele que a Embratel deve manter por alguns anos por vários sistemas especiais, como o monitoramento do tráfego aéreo, operações militares e vários projetos de teleeducação. "Não queremos deixar um vácuo social", justificou.
A entrada de novos competidores e empresas de telefonia fixa e sua liberação para operar o tráfego inter-regional, avaliou Penedo, fará com que a Embratel seja obrigada a adequar seus investimentos e, ao mesmo tempo, continue sendo "responsável pela liquidez do sistema nacional".
"Estamos em um dilema empresarial: ou investimos ou continuamos a garantir o funcionamento do sistema de telecomunicações", afirmou.


