São Paulo, 28 (AE) - O presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Paulo Godoy, disse hoje, que a atual legislação do trabalho é um dos fatores responsáveis pela grave situação do desemprego no País. Segundo ele, da maneira como está estruturada, a justiça do trabalho gera salários baixos, custos altos para as empresas e produtividade baixa. O resultado de tudo isso, avalia Godoy, é o aumento da informalidade e do desemprego.
O empresário fez essas declarações durante encontro para discutir as propostas do deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), relator da Comissão Especial de Reforma do Judiciário
realizado pela manhã na sede da Apeop. Segundo ele, a Apeop apóia, principalmente, dois pontos da proposta do deputado: o fim do poder normativo da Justiça do Trabalho - em favor da negociação entre empregados e empregadores - e a extinção do juiz classista. "Defendemos um tipo de contratação em que prevaleça a vontade das duas partes, empregados e empregadores"
disse Godoy.
O presidente da Apeop disse ainda que não acredita na recuperação do setor da construção no segundo semestre. De acordo com Godoy, os investimentos no setor público ainda são muito "tímidos", o que adia a retomada do segmento para o ano 2000. Apesar disso, acrescenta ele, uma pequena recuperação poderá vir de investimentos recentemente anunciados pelo governo federal e pela iniciativa privada. Ele cita como exemplo a Telefônica, que anunciou contratações, a partir de julho, para a execução de 1,5 milhão de novos terminais telefônicos.
Além disso, Godoy também citou como medidas favoráveis ao setor a continuidade das obras do Rodoanel e o lançamento, pelo governo federal, do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), que deve abrir novas vagas no setor. Ele acredita que a iniciativa do governo paulista e da Caixa Econômica Federal, que assinaram na última sexta-feira convênio de R$ 1,2 bilhão para a construção de moradias populares no Estado, é uma medida positiva e mostra que há vontade política em viabilizar o PAR no curto prazo. Este programa prevê a construção de 200 mil moradias, das quais 60 mil na região mtropolitana de São Paulo, para locação, com opção de compra no final do contrato de 15 anos.

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