Apenas 45% dos professores leem no tempo livre
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - Menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre. Este é o resultado de uma pesquisa, do portal "Qedu: Aprendizado em Foco", uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann, organizações sem fins lucrativos voltadas à educação, e divulgada ontem.
Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento do QEdu mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.
"O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse", disse a diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.
Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010 e que obriga todas as escolas públicas a terem uma biblioteca.
Em Londrina, segundo a Secretaria Municipal de Educação, das 80 escolas municipais, 74 possuem bibliotecas. "Nós só temos uma dificuldade na zona rural, onde a administração é partilhada com o Estado. Mas na zona urbana todas as nossas escolas têm bibliotecas", afirmou Márcia Batista de Oliveira, assessora pedagógica das Bibliotecas Escolares da Secretaria Municipal de Educação.
A rede municipal de ensino conta com várias ações para incentivar o professor a ler. "A leitura é fundamental para a formação do próprio professor para que ele repasse depois este conhecimento ao aluno", colocou a diretora Mafalda Oliveira de Souza, da Escola Municipal Nara Manela, no Conjunto Semiramis (zona norte).
Na escola, que tem 930 alunos no ensino fundamental e no supletivo, os 60 professores podem contar com cinco horas-aulas semanais, a chamada hora-atividade, para se prepararem. "Nestes momentos fazemos pesquisa, separamos os livros para os conteúdos e aqueles que vamos indicar aos alunos, além de corrigir cadernos e trabalhos", contou a professora Gisele da Fonseca. "É importante termos este tempo para nos dedicarmos à leitura, que exige concentração e silêncio", frisou a professora Patrícia Sella.
Na Nara Manela é desenvolvido o projeto "Sacola de Leitura', que foi trazido por professores depois de cursos de leitura realizados pela secretaria municipal. Todo dia um aluno leva para casa de três a quatro livros e depois faz um relato da história através de desenhos, pinturas e encenações. "É um programa que faz a interação entre escola, professor, aluno e pais. Temos um retorno muito bom de todos as partes envolvidas", relatou Leonice Maria Lopes, supervisora da escola.
O estudo do Qedu aponta também dados sobre o acesso digital nas escolas brasileiras. O levantamento indicou que 68% dos professores (148.910) que responderam à pergunta usam computador em sala de aula. O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que o País ainda tem problemas estruturais que dificultam o acesso a tecnologias. "Existem muitos desafios no País ligados a problemas de infraestrutura. Não apenas de acesso às máquinas, mas de acesso à internet, à qualidade dos sinais", disse.(Com Agência Brasil).
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