Apenas 2% dos passageiros usam cinto
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou ontem uma pesquisa que indica que apenas 2% dos passageiros de ônibus intermunicipais ou internacionais fazem uso regular do cinto de segurança. O equipamento, segundo o órgão, diminui a possibilidade de morte em 75% em caso de acidente.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e com a Re solução 643 da ANTT, é obrigatório o uso do cinto de segurança para condutores e passageiros em todas as vias de território nacional. Não usá-lo durante toda viagem é infração grave e a multa para o motorista e para a empresa varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por passageiro.
A FOLHA apurou que poucos passageiros se preocupam com a segurança pessoal nas viagens. ''Não tenho costume, acho desconfortável'', disse o universitário Cláudio Costa Lima. ''Uma raridade eu usar o cinto nas viagens, não me preocupo com isso'', confessou a secretária Ana Paula Gomes Albino. ''É uma questão de hábito, sei da insegurança, mas não tenho o costume'', afirmou o encarregado geral Jadir Rodrigues.
Apenas dois entrevistados confirmaram fazer uso regular do cinto. ''Perdi dois tios recentemente e eu também já fui vítima de acidente. Usar o cinto chega a ser até involuntário'', disse a estudante Livia Batista.
''Viajo toda semana em virtude do meu serviço e religiosamente faço uso do cinto, primeiro pela segurança e também pela empresa não ter responsabilidade caso alguma coisa aconteça comigo se não estiver usando o equipamento'', disse o assistente técnico Ademir Antonio da Silva.
A fiscalização é responsabilidade das polícias rodoviárias Estadual (PRE) e Federal (PRF), além da própria ANTT. Porém, há uma grande distância entre aquilo que está no papel e a realidade das estradas.
''Usar o cinto em transporte de ônibus ainda é um grande desafio de toda a sociedade brasileira'', afirmou o superintendente de Fiscalização da ANTT, Nauber Nascimento. O órgão não apresentou o número de autuações emitidas no País, tampouco dos autos no Paraná. Em Londrina são apenas quatro funcionários e um está de licença médica há seis meses. Eles são responsáveis por fiscalizar 330 ônibus que passam diariamente pela Rodoviária Municipal. A reportagem não conseguiu contato com os responsáveis da PRE e PRF.
A falha na fiscalização fica nítida se analisada o número de autos aplicados contra as empresas de transportes. A Viação Garcia, uma das maiores empresas do País, não recebeu nenhuma multa por falta do uso do cinto de segurança de passageiros nos últimos cinco anos. A companhia tem 500 ônibus, que rodam em 200 linhas por cinco Estados brasileiros. A Garcia faz 18 mil viagens por mês, transportando em média 800 mil passageiros a cada trinta dias.
''Não tem como parar os ônibus em todos os lugares e fiscalizar todos os passageiros, chega a ser inviável. Nós nunca recebemos multas (sobre isso)'', revelou o gerente de marketing Cesar Macedo.
Todos os assentos dos ônibus têm alertas para uso obrigatório do cinto de segurança. A empresa também recomenda os motoristas a advertirem os passageiros, rotina que Silvio Campos de Almeida adotou. ''Percebo que as pessoas estão melhorando, principalmente nas viagens diretas a gente percebe que está virando habitual, mas ainda está longe do ideal'', ponderou o motorista.(Com Agência Brasil)


