Apenas 10% dos casos são considerados 'rebeldes'
Fazendo jus ao nome, o paciente não deve desistir do tratamento na primeira, na segunda, ou na terceira tentativa. Segundo o neurologista Luis Sidônio Teixeira da Silva, de Londrina, 10% a 15% dos casos de dor de cabeça são 'rebeldes', difíceis de tratar, mas 85% a 90% deles ''tem um alívio muito bom'' com os tratamentos disponíveis.
Entre as táticas estão os já citados uso de medicamentos antidepressivos, anticonvulsivantes, antiepiléticos e contra tontura, mudanças de hábitos, até o uso de fitoterápicos. A interrupção da oscilação hormonal e da menstruação nas mulheres é uma das táticas quando a origem da dor é hormonal. E, hoje, os mais modernos medicamentos para aliviar a enxaqueca já instalada, conhecidos como triptanos, têm ação rápida, segundo o neurologista.
A mudança de hábitos contempla principalmente evitar os fatores desencadeantes, o que nem sempre é possível. ''Nestes casos é preciso ter uma vida bem regrada, dormir e acordar sempre nos mesmos horários, não exagerar no álcool, deixar de ir a boates, por exemplo, por causa do som e da luminosidade'', ressalta Silva. Nos casos de cefaléia tensional, as mudanças de rotina e a inclusão de lazer e atividade física são importantes para diminuir o estresse.
Outra opção para quem quer se prevenir contra as crises é o uso de um fitoterápico chamado Tanacetum Parthenium. ''Apesar de faltarem estudos científicos controlados sobre sua eficácia, é interessante para alguns casos mais 'rebeldes' ou para aqueles pacientes que preferem usar menos química'', explica. O neurologista lembra ainda que é preciso investigar problemas dentários de oclusão, que podem ser causa da dor de cabeça.
É preciso, no entanto, alerta o médico, ficar atento para mudanças no padrão da dor, como início brusco e muito forte ou dor acompanhada de paralisia ou perda visual que não se recupera. É raro, mas a condição pode sinalizar algo mais que uma cefaléia - um aneurisma ou tumor. ''É preciso também ficar atento quando a dor se inicia em idosos com idade acima dos 60 anos'', ressalta. (C.P.)





