Apelo à paz será levado à comunidade árabe
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quinta-feira, 27 de março de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Lideranças religiosas do Paraná lançaram ontem em Curitiba um manifesto pela paz e pelo fim da guerra no Iraque. No final da tarde, os representantes religiosos participaram de uma manifestação no centro da cidade junto com estudantes e entidades sociais. Cerca de 100 pessoas fizeram uma caminhada entre a praça Santos Andrade e a Boca Maldita.
Nos próximos dias, os representantes da comunidade árabe no Paraná e de outras religiões vão divulgar o manifesto pela paz e coletar assinaturas. A intenção é traduzir os documentos e enviá-los, daqui a dez dias, para organismos internacionais e para as 23 embaixadas árabes no Brasil. O movimento quer o fim da guerra imediato e também a criação de um Estado Palestino, causa que recebeu ontem moção de apoio da Câmara Municipal de Curitiba.
O lançamento do manifesto, ontem, contou com a presença de líderes muçulmanos, árabes, palestinos, católicos romanos, católicos ortodoxos, governo estadual, Universidade Federal do Paraná (UFPR), vereadores de Curitiba e do prefeito de Foz do Iguaçu, Sâmis da Silva (PMDB). Ele falou sobre as ações que o município realizou depois de ter sido citada como ponto de encontro de terroristas pela mídia internacional.
''Quando falam uma coisa assim, imediatamente são cancelados pacotes de viagem e reservas em hotel, causando um prejuízo muito grande ao município, além do constrangimento causado à população árabe de Foz'', relatou o prefeito. O Ministério Público (MP) estadual entrou com um pedido de reparação de danos contra a rede de TV CNN, que afirmou que Osama Bin Laden esteve em Foz do Iguaçu, cidade com a segunda maior comunidade árabe no Brasil.
Os líderes religiosos afirmaram que não apóiam o governo de Saddam Hussein, mas são contra a invasão feita pelos Estados Unidos no Iraque. ''Nossa solidariedade é contra a agressão que o povo iraquiano está sofrendo. Também somos contra o governo de Saddam porque nós sabemos dos erros que foram cometidos'', afirmou o presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Jamil Iskandar.
De acordo com o vereador de Curitiba Paulo Salamuni (PMDB), o movimento pela paz prega ''a autoderminação dos povos''. ''O povo iraquiano deve decidir se quer tirar Saddam, assim como o povo brasileiro decidiu por tirar Collor (presidente Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment em 1992).
Mesmo defendendo o fim da guerra, os líderes muçulmanos disseram que o Paraná pode receber refugiados do Iraque, desde que os governos federal e estadual dêem suporte à ação.


