Aparecida espera 200 mil fiéis amanhã
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sábado, 10 de outubro de 1998
José Cordeiro Especial para a AE 
Já está tudo pronto para as festividades em homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. São esperados 200 mil fiéis para as celebrações de amanhã, dia 12, data da Padroeira do Brasil e feriado nacional. A basílica em Aparecida do Norte tem capacidade para receber 45 mil pessoas. Durante todo o mês, a previsão do santuário é de que mais de 700 mil romeiros visitem a imagem, encontrada nas águas do Rio Paraíba, em 1717. Segundo estatísticas dos missionários redentoristas que administram o templo, a peregrinação popular aumenta a cada ano e o número de visitantes deverá chegar a sete milhões em 1998.
As comemorações terão início com uma novena organizada pelos devotos da santa. Precedendo estas orações, uma cerimônia reservada irá lembrar uma antiga tradição mariana, do tempo em que a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em procissão, visitava as casas para levar a benção aos fiéis.
A celebração especial desta segunda-feira será inspirada em Maria Peregrina da Esperança e Evangelização, tema da campanha da fraternidade deste ano. A missa será celebrada pelo Cardeal Arcebispo Dom Frei Aloísio Lorscheider, com transmissão simultânea pela Rede Vida de Televisão. Telões serão instalados no interior do templo, para que os fiéis possam melhor acompanhar o evento religioso.
Uma vez por ano, a imagem é retirada do seu nicho para troca do manto. Na ocasião, é realizada uma missa para religiosos e funcionários no interior do Convento dos Redentoristas. Uma vez fora da proteção de vidro, a pequena imagem, feita em barro cozido, chega sob aplausos às mãos do padre responsável, que este ano foi Carlos Arthur Annunciação, reitor do santuário e responsável em levá-la até o Convento. No trajeto externo, romeiros e funcionários que acompanham o sacerdote pedem a benção à Senhora Aparecida, tocando e beijando o manto azul.
Durante todo o percurso na basílica, seguranças acompanham a imagem, pois o risco de um atentado não é descartado. Além disso, a aproximação mais emocionada dos fiéis seria suficiente para provocar um acidente. Em menos de trinta minutos a comitiva já está de volta à sacristia para a última cerimônia em que será trocado e abençoado o novo manto.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida é conduzida à sacristia, onde religiosos lhe prestam a primeira recepção e fazem orações. O reduzido cortejo segue, então, por salões do piso inferior até o corredor que liga o templo ao prédio dos redentoristas. No fim da passagem construída sob o estacionamento, está o convento onde sacerdotes, freiras e colaboradores do santuário prepararam a capela onde acontece uma cerimônia em louvor à Nossa Senhora.
Trabalhando sob os olhares atentos de sacerdotes e leigos, uma freira aplica um pano para a limpeza da imagem. Coloca o manto de veludo azul, presente costurado e bordado com pedras semipreciosas por uma família devota. A coroa de ouro, doada em 1868 pela Princesa Isabel, é recolocada para a benção final. Ao mesmo tempo, acima do altar da nave sul, funcionários terminam a limpeza e polimento do nicho. O retorno é feito entre orações e acompanhado por romeiros. Os fiéis aplaudem o momento em que a imagem é recolocada no nicho.
A devoção à imagem de Nossa Senhora Aparecida teve início em 1717, quando três pescadores lançaram suas redes no Rio Paraíba. Convocados a colaborar com as ofertas de alimento para a visita do governador de São Paulo e Minas Gerais, João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso chegaram ao Porto de Itaguaçu depois de muitas tentativas sem sucesso.
João Alves lançou sua rede e pescou primeiro o corpo de uma imagem sem a cabeça. Lançou de novo a rede e conseguiu recolher a cabeça. Em seguida, a pescaria prosseguiu com abundância. A fama da imagem, que surgiu das águas pelas mãos de pescadores e passou a ser chamada de Aparecida, foi se espalhando por todo o Brasil. A imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi produzida em barro cozido (terracota), tem 36 cm e 250 gramas. Os anos em que ficou submersa no fundo do rio e a ação da fuligem dos lampiões dos oratórios deixaram-na castanho escuro.
Os fiéis ergueram uma capela, depois uma igreja e uma cidade se formou em torno da peregrinação. Próximo ao Porto de Itaguaçu foi construída a atual Basílica Nova, o maior santuário mariano do mundo.


