O representante comercial de medicamentos Francisco José Holanda, foragido desde o dia 28 de julho passado, quando policiais de Belém descobriram em sua residência 1.500 cápsulas vazias utilizadas na venda de medicamentos e cerca de 50 caixas de reagentes químicos para uso exclusivo de laboratórios de análise clínica, apareceu ontem na polícia para depor.
Holanda estava acompanhado de seu advogado e munido de um salvo-conduto expedido por uma juíza. Ele, no entanto, não foi ouvido em depoimento pelo delegado Antonio do Carmo, encarregado do caso, porque o escrivão, doente, não compareceu ao serviço.
Ele negou que esteja envolvido com a falsificação de remédios. Perguntado porque os produtos apreendidos pela polícia não passaram pela fiscalização da vigilância sanitária, Holanda deu a seguinte explicação: ‘‘a licitação aberta para a compra dos remédios não vinha exigindo isso’’. O delegado Antonio do Carmo tomará hoje o depoimento de Holanda. Ele adiantou que se não ficar convencido da inocência de Holanda pedirá sua prisão preventiva.
Cerca de 1.500 caixas de diversos tipos de remédios foram abandonadas no Centro Assistencial Irmão Eustáquio, no bairro Prado, região oeste de Belo Horizonte, anteontem. Entre os medicamentos, alguns com a data de validade vencida, amostras grátis e dois tipos de tarja preta, o Noctal e o Frontal.
Hoje os lotes serão analisados pelo Instituto de Criminalística para saber se são falsos e também à Vigilância Sanitária será notificada. O delegado da Seccional Sul, Jorge Sobrinho, não descarta a hipótese de que os medicamentos tenham sido abandonados por donos de farmácias que operam irregularmente.

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