Apagões despertam o governo brasileiro
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domingo, 20 de janeiro de 2002
Sérgio Gobetti 
Brasília O governo quer aprimorar as informações que envolvem os modelos climáticos e a previsão da vazão dos reservatórios das usinas hidrelétricas, para não ficar refém da média histórica das chuvas ocorridas nos últimos 70 anos. Isso evitaria novas surpresas com a principal fonte de energia do País. Técnicos do Ministério da Ciência e Tecnologia e dos comitês gestores do Fundo de Recursos Hídricos (CTHidro) e do Fundo Energético (CTEnerg) já foram mobilizados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para desenvolver projetos de pesquisa na área de climatologia e recursos hídricos.
Tivemos nesta semana uma primeira reunião com o ONS, onde eles trouxeram suas necessidades e agora vamos rediscutir os investimentos para 2002, afirmou o gerente do CTHidro, Carlos Eduardo Morelli Tucci. Até agora, o governo só tem como estudar o volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas e o regime de chuvas usando a média histórica. Ela, porém, não é conclusiva, pois não há nenhum garantia do que vai acontecer no futuro.
O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia, ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, costuma dizer que a única certeza existente é o que ocorreu no passado, e isso não dá segurança ao governo. O Fundo de Recursos Hídricos começou a operar em setembro de 2001 e já destinou R$ 20,6 milhões para 123 projetos que envolvem desde a formação de profissionais voltados para o gerenciamento de recursos hídricos e bacias hidrográficas até pesquisas sobre a contaminação da água subterrânea. Na área de climatologia, entretanto, apenas um estudo sobre medidas da umidade do solo já foi contratado, a um valor de R$ 1,7 milhão.
Com o resultado dessa pesquisa, que será feita pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), os técnicos da área pretendem aumentar a capacidade de previsão dos modelos climáticos. Outro projeto em vista, orçado em R$ 1,5 milhão, tentará aprimorar a previsão de afluência de água nos reservatórios das hidrelétricas. Existe uma vasta área de pesquisa sobre o que está acontecendo com o clima. A melhoria dessas informações é um gargalo para a tomada de decisões, avalia Tucci, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O desmatamento de uma região, por exemplo, reduz o nível de evapotranspiração (umidade perdida pela vegetação), aumentando o volume de água drenada para as usinas, como verificou-se na Bacia do Paraná nos anos 70. Atualizar esse panorama é um dos objetivos do CTHidro induzidos pelo governo a partir de agora.
De acordo com o superintendente de pesquisa e capacitação da Agência Nacional de Água (ANA), Edil Benedito Braga, o racionamento de energia só tende a terminar no papel, porque governo, empresários e cidadãos devem agir de modo mais racional e prudente daqui por diante.


