Dez estados brasileiros foram afetados ontem por um apagão provocado por uma pane que paralisou as turbinas geradoras da represa binacional de Itaipu, na fronteira com o Paraguai. O blecaute atingiu os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, além do Distrito Federal.
Centros comerciais ficaram às escuras, bancos fechados, sistemas de metrô e sinais de trânsito sem funcionar. Operadoras de telefonia celular também tiveram problemas no fornecimento do serviço.
Em São Paulo foram noticiados alguns acidentes de trânsito, os bombeiros foram chamados em cerca de 20 edifícios para resgatar pessoas bloqueadas em elevadores e 11 trens do metrô da cidade pararam entre estações.
As duas centrais nucleares brasileiras, Angra I e Angra II, no Estado do Rio de Janeiro, tiveram que ser desligadas.
No Paraná, cerca de 1,3 milhão de paranaenses sofreram os reflexos do apagão. De acordo com informações da Companhia Paranaense de Energia (Copel), às 13h35, quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) detectou os primeiros problemas técnicos no sistema, a capacidade de energia do Paraná perdeu 1.100 megawatts de força. Ou seja, 40% da carga demandada pelo Estado naquele momento ou o equivalente à potência da Usina de Salto Caxias, na Região Sudoeste. A Copel atende 2,9 milhões de ligações.
Maringá e Londrina foram as cidades mais atingidas de todo o Estado (leia textos nesta página). Em Maringá, 500 mil consumidores ficaram sem luz. Em Londrina, 428 mil, segundo os dados oficiais. Na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral, 200 mil consumidores foram atingidos durante alguns minutos. No Oeste e no Sudoeste, algo em torno de 70 mil. E na Região Centro-Sul do Estado, 40 mil. Em Maringá e Londrina, o sistema foi restabelecido em cerca de 50 minutos, segundo informações da Copel. Na Grande Curitiba e em localidades do Litoral, de um modo geral, levou cerca de 5 minutos para voltar a luz.
O Centro de Operação do Sistema Elétrico da Copel, fixado em Curitiba, comandou uma série de manobras redirecionando o fluxo das cargas. No momento do incidente, a geração de energia para alimentação dos sistemas elétricos interligados estava fortemente concentrada nas usinas localizadas nas bacias hidrográficas da Região Sudeste. O corpo técnico da Copel explica que o sistema elétrico brasileiro é todo interligado, razão pela qual mais de um estado sofreu por conta da pane.
Técnicos da Copel passaram o dia trocando informações com o Centro Nacional de Operação do Sistema Elétrico, com sede em Brasília, e com o Centro Regional de Operação Sul, de Florianópolis, tentando entender o que realmente aconteceu.

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