A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Rolândia completa 30 anos consolidando sua posição de excelência no ensino especial. Ela é mantenedora do Instituto de Orientação da Criança Excepcional (IORCE). Em três décadas, foram atendidos pela instituição 991 alunos. A acanhada casinha de madeira do início hoje é uma megaescola com 250 portadores de deficiências.
São 9.215 metros quadrados de área no centro da cidade, com 5.500 metros quadrados de área construída. Há espaço suficiente para a interação de ensino prático e teórico nas 26 salas de aulas e outras 20 destinadas a administração, serviço de apoio, gabinete odontológico, consultório médico com enfermaria, almoxarifado, cozinha, refeitório e ainda loja para venda de produtos confeccionados pelos alunos.
Na parte externa, há um amplo espaço para recreação com parquinhos e quadra de esporte. A APAE também possui um sítio de 10 alqueires onde os alunos adultos desenvolvem atividades agrícolas nas granjas de aves e suínos, no pomar e na horta. Conhecido como Apaelândia, o sítio foi adquirido em 1986.
Para completar a infra-estrutura, comparável às escolas de primeiro mundo, a entidade possui duas piscinas, sendo uma aquecida. Mas a diretora Vera Lúcia de Morais Souza ressalta que importante é o trabalho conjunto de professores especializados, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonaudiólogos, médico pediatra, dentista e coordenadores, num total de 65 funcionários.
Questionada sobre qual é o segredo para levantar e manter uma estrutura como essa, cuja única finalidade é oferecer atendimento educacional às pessoas portadoras de necessidades especiais, a diretora Vera Lúcia de Moraes Souza responde sem hesitar: ‘‘O segredo disso tudo é muito trabalho. Desde o nosso primeiro presidente, Waldemar Gonçalves, passando pelos seus sucessores (Hans Helmut Behrend, Lauro de Paula Pacheco, Otacílio Campiolo e a atual presidente Neiva Luzia Puzzi Moser), todos arregaçaram as mangas e não mediram esforços nessa luta’’.
Vera aponta para uma casinha de bonecas no parquinho e exemplifica: ‘‘A escola não tinha condições de construí-la, mas conseguimos doação de material de uma empresa, mão-de-obra de outra, e é assim que viabilizamos os nossos projetos’’. Ela cita o convênio com a Coca-Cola, pelo qual a escola troca latinhas de refrigerantes por computadores. Uma das características da APAE de Rolândia é não ficar à espera de ajuda, mas procurar solução para os problemas.
Uma das soluções foi encontrada nos próprios alunos. Eles participam da produção de geléias, licores, temperos caseiros, pão e trabalhos manuais (guardanapos, toalhas e bordados). Na marcenaria, são fabricados rodos para limpeza, cabides, casinhas de madeira, entre outros produtos. Da Apaelândia vem a banana, mandioca, acerola, ovos, abacate e toda matéria-prima para fabricação de geléias e licores. Todos esses produtos são comercializados na loja da APAE, anexo ao prédio da escola, e servem como uma importante fonte de renda para ajudar na manutenção da instituição.
É impossível desvincular a história da APAE de Rolândia da figura de Helmuth Behrend. Além de presidente, ele se tornou uma espécie de patrono da escola. Behrend tinha conhecidos em entidades filantrópicas da Alemanha e fez diversas viagens àquele país em busca de recursos para ampliações da Apae. Por causa deste relacionamento, criou-se o ‘‘mito’’ de que a APAE de Rolândia sempre foi ‘‘rica’’.
A diretora Vera faz questão de esclarecer que, como outras entidades similares, a APAE de Rolândia se mantém graças à contribuição que recebe de empresas, de pessoas, dos projetos de geração de renda que desenvolve, entre outras fontes. ‘‘No ano passado passamos por momentos de extrema dificuldade e de incertezas em relação ao futuro de nossa instituição, exatamente como ocorreu com outras escolas’’, explica.
A diretora revela que a cada ano são realizados inúmeros projetos enviados como propostas para empresas ou entidades. ‘‘Um ou outro normalmente acaba sendo aprovado e, com isso, vamos avançando na proposta de melhorar a escola. Para a compra de novos equipamentos de recreação conseguimos os recursos junto ao Fórum, através da transferência de valores de multas’’, exemplifica. Há sete anos na APAE, a psicóloga Solange Debertolis diz que a evolução é constante. ‘‘Isso é feito sempre em busca de aumentar a produtividade, modernizar, tanto o ensino como a administração. O objetivo é avançar na qualidade do nosso trabalho’’, observa.
Para Solange, é fundamental a organização e o planejamento estratégico da APAE. ‘‘O profissionalismo, tanto no setor pedagógico como no administrativo, dá confiabiliade às empresas que recebem nossos projetos e reivindicações’’, disse.
Uma das etapas do planejamento estratégico da instituição é a chamada ‘‘reengenharia da área de informática’’. O especialista – e voluntário – Marcos Sales D’Ávila. Ele apanhou as informações desses 30 anos, condensou e racionalizou os dados para que dados sobre toda a ‘‘vida’’ da instituição e dos seus alunos possam ser facilmente acessados.

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